De acordo com uma investigação recente, os materiais que entram em contacto com alimentos são fontes subestimadas de contaminantes químicos.
O estudo publicado na revista científica Journal of Steroid Biochemistry and Molecular Biology questiona a precisão de métodos usados para avaliar a migração das substâncias que compõem as embalagens e sugere ainda que a exposição de crianças não é sempre estimada realisticamente.
Segundo os investigadores, liderados por Jane Muncke, os efeitos de contaminantes químicos não devem ser apenas avaliados de acordo com os critérios actuais. Deve também ter-se em consideração a desregulação endócrina, o efeito combinado de vários contaminantes e o desenvolvimento da toxicidade.
Jane afirmou que a avaliação de exposição de químicos que se libertam de embalagens é estimada com uma incerteza ilusória. “Dada a natureza complexa dos polímeros modernos, não é sempre possível saber quais as substâncias que foram incorporadas no material plástico que poderiam migrar para o alimento”, explica. Jane afirma também que os testes actuais podem subestimar ou sobrestimar os níveis de exposição.
O estudo também demonstra preocupação com as análises actuais que somente avaliam monómeros e aditivos individualmente ao invés de questionarem todo o processo de migração. Ao considerar a tinta e adesivos de embalagens “pode dizer-se que actualmente não há uma avaliação sistemática de tudo o que migra da embalagem para o alimento e que pode ser tóxico”, refere Jane.
Exposição de crianças
Jane diz que a exposição de crianças a contaminantes pode ser maior do que se acredita já que a quantidade de alimentos que elas consomem que é afectada pela migração de químicos tóxicos é muito maior do que as estimativas actuais. Um estudo britânico revelou que crianças consomem em média 1.6 vezes mais comida que teve contacto com embalagens plásticas do que a abordagem de estimativa da União Europeia (UE) prevê.
Além disso, os alimentos para crianças surgem normalmente em embalagens de pequenas dimensões, o que leva a uma migração superior por kg de alimento. Estes factores podem levar a que as crianças estejam expostas a níveis de contaminantes mais elevados do que os considerados seguros actualmente.
Fonte: EcoAgência