Estudo sugere que as folhas dos vegetais não são contaminadas com Escherichia coli (E.coli) através do sistema radicular das plantas, ou seja, que é pouco provável que os vegetais possam ser contaminados através da presença de E.coli no solo.
A contaminação de vegetais com E.coli é um tema que levanta muitas preocupações. Em 2006, nos Estados Unidos da América (EUA), ocorreu um surto de E.coli, relacionado com o consumo de espinafres contaminados, que levou à morte de 3 pessoas e que deixou cerca de 200 pessoas doentes.
Os investigadores do Serviço de Investigação Agrária (ARS), dos EUA, avaliaram a possibilidade de absorção de estirpes patogénicas de E.coli pelos vegetais, através do solo, ao absorver nutrientes e água. Para tal, os investigadores modificaram várias estirpes de E.coli (incluindo algumas altamente patogénicas e responsáveis por doenças de origem alimentar), agregando-lhe um gene de fluorescência que permite seguir os seus movimentos desde o solo até à planta.
Os resultados deste estudo permitiram verificar que estirpes patogénicas de E.coli podem sobreviver no solo até 28 dias e que as células fluorescentes podem entrar nas raízes de plantas como os espinafres.
Para verificar se as bactérias podiam circular no interior das plantas, os investigadores cultivaram espinafres num solo esterilizado e numa solução rica em minerais.
Após 28 dias, não foram detectadas bactérias nas folhas nem nos rebentos dos espinafres cultivados no solo esterilizado. No entanto, os investigadores detectaram E.coli nas amostras de espinafres cultivados na solução rica em nutrientes, porém, a sobrevivência das bactérias nos tecidos dos rebentos foi esporádica 28 dias após a germinação das plantas.
Estes resultados sugerem que, embora a E.coli possa sobreviver no solo, não é provável que as doenças de origem alimentar sejam provocadas por bactérias que entraram nas plantas através das raízes. Os resultados desta investigação foram publicados no Journal of Food Protection.
Fonte: Agrodigital