Submeter a farinha de amendoim a um processo de extrusão poderia reduzir os níveis de aflatoxina em 84%.
As aflatoxinas são toxinas naturais que contaminam o milho e outras culturas similares como as de nozes e amendoins. Estas substâncias podem ser tóxicas para o homem, apresentando efeitos cancerígenos, especialmente após exposição a concentrações muito elevadas. As investigações neste domínio visam a redução do risco de exposição à toxina através da ingestão de alimentos contaminados. O último projecto neste âmbito aponta a utilização de um método químico denominado extrusão como uma forma eficaz de reduzir significativamente a exposição a esta substância.
A eficácia dos tratamentos para reduzir os níveis de aflatoxina nos alimentos demonstra que a sua presença depende te três factores fundamentais: temperatura, tempo e humidade. Os tratamentos baseados em altas temperaturas e pressão elevada, como é o caso da extrusão, têm-se revelado bastante promissores.
Uma investigação recente, baseada no sistema de extrusão, demonstrou que este método permite reduzir em até 97% a aflatoxina B1 em amendoins com a combinação da extrusão com hidróxido de cálcio. Segundo o novo estudo, a extrusão de farinha de amendoim humedecida e com pH igual a 7,5 reduziu em 60% a quantidade de aflatoxina neste produto. Ao aumentar o pH para 9,5 a redução é mais significativa.
Extrusão aplicada a ouros produtos alimentares
Na alimentação humana, a extrusão é geralmente utilizada em cereais de pequeno-almoço, snacks (doces e salgados), alimentos para bebés, sopas instantâneas e substitutos da carne, assim como em massas e bebidas em pó. As principais vantagens deste processo incluem a conservação, uma vez que este tratamento permite um maior controlo sobre a quantidade de água, que está directamente ligada ao potencial desenvolvimento de microrganismos.
Um dos objectivos da extrusão é desenvolver produtos que necessitam de uma humidade muito específica e, assim, alargar o seu tempo de prateleira.
Fungos que produzem toxinas
Ocasionalmente, determinados fungos desenvolvem-se em alimentos e produzem pequenas quantidades de toxinas, denominadas micotoxinas. Embora alguns fungos sejam inofensivos, outros como o Aspergillus flavus, são prejudiciais pois desenvolvem micotoxinas perigosas como a aflatoxina. Esta micotoxina é extremamente forte, possuindo capacidade para produzir doenças hepáticas. Uma vez que o Aspergillus flavus se desenvolve em plantas (frutas, vegetais, cereais e frutos secos), produz aflatoxina e é estável ao calor, a sua eliminação torna-se muito difícil.
O desenvolvimento e acumulação da aflatoxina nos alimentos regista-se, principalmente, durante a fase de armazenamento. Por conseguinte, é fundamental que esta etapa seja controlada de forma rigorosa. As aflatoxians são inodoras, insípidas e incolores. Por conseguinte, são extremamente difíceis de detectar e daí a importância dos métodos que permitem reduzir a sua presença nos alimentos.
Fonte: Consuma Seguridad