O fígado do peixe é normalmente descartado pela indústria alimentar, mas uma equipa de investigadores da Universidade de Almeria (Espanha) confirmou que esta é uma boa fonte de ácidos gordos polinsaturados, benéficos para a saúde.
As anchovas são um dos peixes cujos fígados contêm os mais altos níveis destas substâncias.
O fígado dos peixes não tem sido muito aproveitado pela indústria, com excepções como o fígado de bacalhau, usado para produzir o conhecido óleo medicinal. Porém, segundo o estudo publicado no Journal of Food Composition and Analysis, estes órgãos contêm compostos que são benéficos para a saúde.
Segundo José Luis Guil-Guerrero, autor principal do estudo, “os fígados de peixes comestíveis são uma boa fonte de ácidos gordos polinsaturados, especialmente os da família ómega-3, como o ácido eicosapentaenóico e docosahexaenóico”.
Estes ácidos gordos são usados para prevenir e tratar várias doenças, como alguns tipos de cancro, depressão, doença de Alzheimer, esquizofrenia, problemas comportamentais e doenças cardiovasculares.
O estudo incidiu sobre 12 espécies de peixes que são geralmente consumidas na região leste do Sul da Espanha, como a pescada, anequim e sardinha europeia. Os fígados do peixe-aranha e do biqueirão foram os que apresentaram os níveis mais altos de ácidos gordos polinsaturados.
Não obstante, todas as espécies apresentaram uma combinação de ácidos gordos ómega-3/ómega-6 que é “benéfica para consumo humano”, especialmente no caso do fígado do peixe verdinho.
José Luis Guil-Guerrero sublinha que “infelizmente, descartar estes fígados significa que todas as propriedades nutricionais são perdidas”. “E se fossem usados também reduziriam a poluição ambiental provocada por deitar vísceras ao mar, que é um problema inerente à indústria de transformação de produtos de peixe em áreas costeiras”, acrescenta.
Fonte: Ciência Hoje