A ingestão de frutose ao longo do período de gestação pode prejudicar o desenvolvimento da placenta e resultar em alterações específicas da endocrinologia fetal e neonatal, sugere um estudo publicado na revista Endocrinology.
A frutose é um açúcar simples que existe naturalmente no mel, frutas e em certos vegetais. Dietas ricas em frutose dietética, particularmente devido a bebidas adocicadas, são cada vez mais comuns e têm demonstrado ser prejudiciais para a regulação da ingestão energética e a adiposidade corporal.
O principal autor do estudo, Mark Vickers, da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, explicou, em comunicado, que "houve um aumento significativo no consumo de bebidas e alimentos com frutose, especialmente entre as mulheres em idade reprodutiva.
Este estudo foi o primeiro a conseguir demonstra que os fetos femininos e masculinos reagem de maneira diferente ao consumo de frutose materna, e que estas mudanças relacionadas com o sexo podem estar associadas a alterações no desenvolvimento da placenta.
Ao longo do estudo, os investigadores examinaram ratinhos fêmea, em fase de acasalamento, os quais foram acondicionadas para receber água ou uma solução de frutose que representou 20% de ingestão calórica a partir de frutose. Só os fetos do sexo feminino nos ratinhos alimentados com frutose apresentaram maior leptina, frutose e glucose no sangue do que os ratinhos correspondentes do grupo de controlo. Os filhotes machos e fêmeas de ratinhos alimentados com frutose apresentaram ambos maiores teores de frutose no plasma e estavam hipoinsulémicos.
Também foi possível verificar que a placenta dos fetos do sexo feminino nos ratinhos alimentados com frutose era mais leve que a dos fetos do sexo feminino no grupo de controlo.
A co-autora da investigação, Deborah Sloboda, adiantou que são necessários mais estudos para determinar os efeitos a longo prazo da ingestão de frutose materna sobre a saúde e o bem-estar do feto e para perceber se as diferenças observadas no estudo obtêm diferentes perfis de risco para a doença metabólica no período pós-desmame.
Fonte: ALERT