Uma nova estirpe de bactérias Staphylococcus aureus (S. aureus), resistente aos antibióticos do grupo da penicilina, foi encontrada em leite de vaca e em humanos.
Investigadores do Imperial College, de Londres, que realizaram um estudo publicado no jornal Lancet Infectious Diseases, referem que estas bactérias podem causar desde problemas cutâneos até infecções sanguíneas em pessoas com o sistema imunitário debilitado.
Nesta variante resistente à meticilina (MRSA, na sigla em inglês), o gene mecA, que provoca a resistência à medicação, tem apenas 60 % de nível de semelhança daqueles que compartilham 99 % das MRSA conhecidas. “É por isso que a nova estirpe passava despercebida nos exames clínicos”, explicou Laura García-Álvarez, investigadora do Imperial College.
Após a bactéria, denominada LGA251, ter sido identificada 13 vezes em leite de vaca, os investigadores detectaram 50 casos em humanos na Grã-Bretanha e na Dinamarca em 2010, sendo que actualmente estão a desenvolver os primeiros testes noutros países europeus como Alemanha, Holanda e, inclusivamente, Portugal.
A especialista contou que "a primeira bactéria desse tipo procede de uma amostra de 1975”, sendo que tem uma ampla distribuição geográfica, mas a sua incidência em números absolutos é muito baixa. Acrescentou ainda que, durante estes 36 anos não foi detectada por falta de métodos que o permitissem.
Ainda não foi possível determinar se a bactéria é de origem bovina e foi transmitida para os humanos, ou se aconteceu o inverso. Porém, os investigadores salientaram que o consumo de leite de vaca pasteurizado não representa qualquer risco de infecção, dado que o processo de pasteurização elimina totalmente a bactéria S. aureus.
Está estimado que um terço da população tem no organismo bactérias resistentes a antibióticos, nomeadamente na pele e nas fossas nasais. Todavia, as complicações médicas associadas às MRSA costumam ocorrer apenas em pacientes submetidos a alguma intervenção cirúrgica.
Ao longo dos últimos anos, nos países industrializados, as bactérias têm vindo a aumentar a sua resistência aos antibióticos, sendo que entre 40 e 60 % delas deixaram de sucumbir a tratamentos com os antibióticos mais comuns.
Fonte: Ciência Hoje