Embora a diminuição do consumo de sal, aparentemente, conduza a leves reduções da pressão sanguínea, este facto não se traduz na redução do risco de doença cardíaca ou de morte, referem investigadores britânicos, numa revisão de estudos publicada na Cochrane Library.
Os investigadores salientam que os ensaios feitos até ao momento (e analisados nesta revisão) não são amplos o suficiente para demonstrarem qualquer benefício para a saúde do coração, por isso propõem a realização de estudos mais amplos.
Rod Tyler, da University of Exeter, no Reino Unido, disse, em comunicado, que "com os governos a fixarem limites cada vez mais baixos para o consumo de sal e as empresas a tentarem eliminá-lo dos seus produtos, é realmente importante que façamos ensaios mais amplos para compreender os benefícios e os riscos da redução do uso de sal".
Na generalidade, os especialistas concorda que consumir sal em excesso faz mal à saúde e que diminuir a sua ingestão reduz a tensão arterial em pessoas com a pressão arterial normal e alta. No entanto, refere a mesma nota enviada à imprensa, os investigadores precisam demonstrar se o benefício para a pressão arterial se traduz numa melhoria da saúde cardíaca na população.
O especialista explicou "que (na análise aos estudos) podem não ter encontrado grandes vantagens (da redução do consumo de sal) devido ao facto de ter sido analisado um pequeno número de pessoas ou porque a redução no uso de sal foi relativamente pequena".
"As pessoas dos ensaios que analisámos apenas reduziram o consumo de sal de forma moderada, de modo que o efeito sobre a pressão arterial e doenças cardíacas não foi grande", acrescentou.
Em muitos países, inclusive em Portugal, foram aprovadas directrizes para reduzir o consumo de sal ou sódio, com o objectivo de beneficiar a saúde a longo prazo. A Organização Mundial de Saúde coloca a diminuição do uso de sal entre as 10 melhores maneiras de baixar as taxas da doença crónica.
A equipa, liderada por Taylor, analisou os resultados de sete estudos que incluíram 6.489 participantes. Segundo o comunicado de imprensa, os investigadores referem que estas informações seriam suficientes para tirar conclusões, mas acreditam precisar de dados de, pelo menos, 18 mil pessoas para poder identificar algum benefício claro para a saúde.
Fonte: ALERT