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Suplementos alimentares prometem mas não cumprem
2011-07-26
Qualfood

Muitos produtos catalogados como suplementos alimentares, fazem promessas que vão da redução de peso ao reforço do sistema imunitário. Contudo, um especialista confirma que são poucos os que têm estudos científicos capazes de confirmar o que apregoam. Por isso, afirma que se deve ter cuidado com os abusos.

Actualmente os suplementos alimentares estão um pouco por todo o lado. Dos que ajudam a afastar a fadiga aos que prometem o controlo do peso, garantem um reforço muscular ou combatem o colesterol. A estes juntam-se muitos outros na forma de cápsulas e comprimidos – os suplementos alimentares – ou como reforço de alimentos (os nutracêuticos). No entanto, João Fernandes Pinto, professor associado da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa e coordenador do livro 'Nutracêuticos e Alimentos Funcionais', explica que “não podemos acreditar em tudo o que é publicitado”.

“Nem todos os produtos foram testados devidamente e, em particular, os efeitos clínicos não foram comprovados. Importa referir que estes efeitos são difíceis de quantificar e requerem estudos cuidadosos e caros com monitorização dos efeitos num número elevado (milhares) de indivíduos e ao longo de muitos anos (por vezes dezenas) para que se possa comprovar o que é apregoado.” E se algumas empresas o conseguem fazer, “o seu número é reduzido”, garante o especialista, “pelo que todo o cuidado é necessário”.

Cuidados a ter

O ritmo de vida acelerado serve de justificação para os maus hábitos alimentares e também para a utilização abusiva dos suplementos. E se é um facto que os suplementos podem apresentar vantagens, sobretudo “como compensação de maus hábitos de vida, não podemos esquecer que não substituem uma alimentação cuidada ou um ritmo de vida controlado, pelo que o seu uso como substitutos, e não como complemento dos alimentos, deve ser inibido”, refere ainda o especialista.

Segundo João Fernandes Pinto, os suplementos alimentares “devem ser usados tendo presente sempre três aspectos importantes: qualidade, segurança e efeito pretendido”. Um dos pontos essenciais está, destaca, “relacionado com a ausência de efeitos laterais ou secundários”, muitos dos quais “só se manifestam passados alguns anos e sem relação evidente entre o consumo e o resultado”.

Há que ter em consideração a eficácia, ou seja, o efeito pretendido. “Importa referir que efeitos fisiológicos só podem ser reclamados para medicamentos e que estes produtos são considerados alimentos. Para além disso, os efeitos reclamados devem ser confirmados por evidência clínica, o que não acontece na esmagadora maioria dos casos”.

Precisão nas informações

Existe muita informação disponível. Todavia, reforça o professor, a cientificamente fundamentada, “que suporte ou rejeite o uso de determinado produto”, é ainda escassa. “Muita da informação divulgada tem por base observações empíricas sem suporte científico. Para que se evolua no bom sentido há que gerar mais informação de qualidade e partilhá-la com o público de uma forma sóbria, sem a pressão oriunda de razões comerciais.”

Fonte:Destak

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