A ciência revela que vários nutrientes têm capacidade para estimular o organismo a evitar o aumento de peso.
O caminho mais eficaz para perder peso não passa apenas por evitar as opções mais calóricas, mas também por consumir determinados alimentos que auxiliam na perda de peso.
Apesar de invulgar, esta dieta trata-se de uma das mais inovadoras estratégias traçadas pela ciência para ajudar quem deseja emagrecer, revertendo a seu favor o poder de determinados alimentos para nutrir e, ao mesmo tempo, evitar a acumulação de gordura.
Esta dieta é o resultado das informações obtidas nos últimos anos por investigadores que se dedicam a estudar formas de combater a obesidade. Darius Mozaffarian, da Universidade de Harvard (EUA), refere: “Chegamos à conclusão de que o caminho para acumular menos calorias não é simplesmente cortá-las. Hoje sabemos que a ingestão de diversos tipos de alimentos está associada à perda de peso”.
O investigador americano não se refere com isto à velha máxima de que se deve comer “pouco, mas várias vezes por dia”, embora esta teoria tenha o seu fundamento. O investigador alerta para a existência de vários alimentos que ajudam a prevenir o aumento de peso, não devido à quantidade de calorias que apresentam, ou não somente por isso, mas devido à acção de nutrientes específicos que impedem a acumulação de gordura no organismo.
Esta nova abordagem tem como base a constatação de que os efeitos dos alimentos no organismo e a nossa relação com os alimentos são muito mais complexos do que se imaginava. “Há, por exemplo, uma ligação importante entre o cérebro e o aparelho digestivo”, afirma o endocrinologista Walmir Coutinho, presidente da Associação Internacional para o Estudo da Obesidade. De facto, descobriu-se a existência de uma espécie de segundo cérebro no corpo: cerca de 100 milhões de células nervosas, do mesmo tipo das que existem no cérebro, estão distribuídas pelas paredes do estômago, esófago e intestino. E elas estão lá com um propósito claro: participar da regulação das sensações de fome e saciedade. Por meio delas são produzidos sinais que vão do intestino ao cérebro, transmitindo a informação de que o corpo não necessita de mais alimentos.
E o que se verificou foi que o envio desses avisos está vinculado ao tipo de alimento em trânsito no aparelho digestivo. Alguns, como os hidratos de carbono simples, presentes no pão e massas brancas, por exemplo, demoram mais a estimular os sinais de saciedade. Outros, por seu turno, são mais rápidos na tarefa. Entre eles estão os óleos e gorduras.
“Actualmente, o estudo da digestão deve ter em consideração o funcionamento da relação entre o sistema digestivo e o cérebro”, afirmou Heribert Watzke, conselheiro científico de um centro de investigação, na Suíça.
O investigador pretende desenvolver meios para prolongar o tempo de permanência dos alimentos no intestino, de forma a aumentar a percepção e a duração da saciedade. Com esta perspectiva, Watzke e a sua equipa trabalham em modificações na estrutura do azeite para que este seja digerido mais lentamente. “Descobrimos que um dos produtos resultantes da digestão do azeite, os monoglicerídeos, tornam a digestão mais lenta se estiverem presentes desde o início neste alimento”, revelou Watzke. A equipa de investigação criou em laboratório moléculas de monoglicerídeos que foram adicionadas ao azeite. Após a alteração, a sua permanência no intestino foi mais prolongada, aumentando a saciedade.
Outros estudos revelam o impacto de substâncias como o galactolipídeo, molécula de gordura presente em cereais, e o alginato, substância extraída de algas marinhas, no controlo da sensação de saciedade.
Embora a maioria das iniciativas nesse campo ainda se encontre em fase de investigação, já existem produtos industrializados criados para interferir nos sinais da saciedade. Um deles é uma emulsão de água, óleos de palma e aveia. Este produto é adicionado a alimentos dietéticos e comercializado para ser adicionado a receitas caseiras. A digestão desta mistura é mais lenta por causa das substâncias contidas no óleo de aveia. Por isso, quando chega ao intestino, é enviado um sinal de saciedade ao cérebro.
Fonte: SisSaúde