Recentemente, a Greenpeace Portugal divulgou uma expedição pelo Árctico, com o objectivo de revelar o estado dos "stocks" de bacalhau, incluindo o do Mar de Barents na fronteira do Árctico, e para informar sobre a sustentabilidade da pesca deste peixe histórico que representa mais de um terço de todo o pescado consumido em Portugal.
Ao longo de vários séculos, o bacalhau do Atlântico foi um dos negócios mais lucrativos para a indústria pesqueira portuguesa. Todavia, actualmente, os poucos navios que restam da grande frota bacalhoeira nacional contribuem em apenas dois por cento para o total consumido no nosso país.
A sobre-pesca persistente, que originou as chamadas “guerras do bacalhau” entre a Islândia e o Reino Unido, culminou no dramático colapso da pesca deste produto no Canadá e obrigou os países gestores a emitir quotas cada vez mais restritivas.
Existem 16 “stocks” comerciais de bacalhau do Atlântico, dos quais somente os da Islândia, Báltico Este e Nordeste Árctico (Mar de Barents) não se encontram sobre-explorados, sendo que o Mar de Barents dá abrigo ao último dos grandes "stocks" históricos deste peixe.
Contudo, mesmo nas zonas onde a sobre-pesca deixou de ser uma ameaça imediata, o bacalhau enfrenta as consequências da técnica de pesca mais nociva para os ecossistemas: a pesca de arrasto de fundo.
Para completar a informação disponível sobre o estado do bacalhau do Atlântico, a Greenpeace pediu aos retalhistas incluídos no Ranking anual de sustentabilidade do pescado, para enviarem dados, métodos de pesca e de processamento relativos ao que comercializam.
Dos seis retalhistas abordados, apenas quatro - os que já possuem uma política de pescado responsável - colaboraram com o inquérito cujos resultados confirmam que o bacalhau mais popular em Portugal é proveniente do Mar de Barents. Menos de dez por cento do bacalhau comercializado por estes retalhistas vem de zonas de pesca sobre-exploradas como o Mar do Norte ou a Costa da Noruega.
Não obstante, pelo menos 30 por cento ainda provém da pesca de arrasto de fundo - método pouco selectivo que desperdiça pelo menos metade das capturas e danifica o fundo dos oceanos, resultando inclusivamente num produto de qualidade inferior. Mais de 50 por cento do bacalhau congelado é capturado através da pesca de arrasto de fundo.
O inquérito revelou também que o peixe chega maioritariamente sob forma de “bacalhau verde” (fresco e salgado) para depois secar em território português, onde, graças aos muitos dias de sol, se consegue obter a muito procurada “cura amarela”, com uma pequena percentagem secada em Espanha ou na Noruega.
Os quatro retalhistas que participaram no inquérito demonstram interesse em melhorar a informação disponível ao consumidor sobre a proveniência e método de captura do bacalhau que vendem.
A Greenpeace sensibiliza para a preservação do bacalhau para futuras gerações, comprando apenas bacalhau do Atlântico, proveniente do Mar de Barents, Islândia ou Báltico Este e evitando aquele que é capturado através da pesca do arrasto de fundo.
Fonte: Ciência Hoje