“A publicidade agressiva, dirigida às crianças, de produtos com alto conteúdo de gordura, açúcar ou sal é um factor que está a contribuir para a obesidade infantil, um factor de risco para doenças não transmissíveis”, salienta Luke Upchurch, chefe de Comunicações e Assuntos Externos da Consumers International, organização dedicada a questões relacionadas com o consumo.
O responsável acrescentou: “Pensamos que os governos têm a responsabilidade de proteger a saúde dos consumidores vulneráveis (especialmente crianças), e que tais responsabilidades devem estar na frente do interesse e dos lucros das grandes empresas”.
Os governos de alguns países, como a Suécia e o Reino Unido, promulgaram leis para travar a comercialização de alimentos pouco saudáveis direccionados para as crianças. Mas, as mesmas “não costumam ser suficientemente amplas”, indica. Somente abrangem alguns dos canais usados na propaganda dos produtos.
“Os pais têm a responsabilidade de assegurar que aos seus filhos se ofereça uma dieta saudável, mas os seus esforços são muitas vezes minados pelas campanhas de marketing sofisticadas e generalizadas de produtos não saudáveis”. A publicidade para o público infantil influencia os caprichos das crianças, refere o especialista. Há também exemplos de publicidades enganosas no sector alimentar e de anúncios que tentam chegar aos pais através das crianças, acrescenta.
As doenças não transmissíveis, problemas cardiovasculares, cancros, diabetes e doenças respiratórias crónicas, representam cerca de 63 por cento das mortes. A obesidade e o peso a mais são problemas que afectam cada vez mais crianças e um factor de risco que favorece o aparecimento dessas doenças em idade adulta. Calcula-se que existem 170 milhões de crianças em idade escolar com problemas de obesidade ou peso a mais.
Fonte: Fátima Missionaria