Estudos recentes apontam que a carne vermelha, quando servida fresca, sem gordura e em porções de apenas 150 gramas, não aumenta os níveis de colesterol, nem apresenta riscos para a saúde cardiovascular.
O primeiro levantamento realizado sobre o assunto, analisou dados de 56.000 pessoas. Publicada no fim de 2010, a investigação dividia a carne vermelha em dois grupos: fresca e processada. Concluiu-se, então, que os risco acrescido para doenças cardiovasculares e cerebrais estava associado a apenas um dos dois grupos: o da carne processada. Segundo Kevin J. Croce, cardiologista da Universidade de Harvard, a carne processada tende a ser preparada com um corte menos saudável, temperada com sal (factor de risco para a hipertensão) e com adição de nitrito, substância que adia o ranço e estabiliza o sabor e a cor característica.
Partindo do resultado da pesquisa de 2010, uma equipe multidisciplinar conduzida pelo investigador Iran Castro, acompanhou por seis meses 50 voluntários, divididos em grupos que comiam 150 gramas de carne bovina magra, sem gordura, alimentada com ração ou em pastos. Todos ingeriam carne fresca e uma refeição com baixo teor de colesterol total.
No final do estudo, o investigador concluiu que, independentemente de qual era o alimento fornecido ao animal - ração ou pasto -, não havia alteração nos níveis de colesterol do voluntário. "O trabalho mostra que quando não há gordura fora ou no interior da carne, e esta é consumida na proporção indicada, não há risco para o coração”, diz Castro. Isso significa que, independentemente da maneira como o animal é criado, o importante é que não tenha gordura.
Segundo Croce, as investigações realizadas até hoje não indicam quais são os riscos exactos do consumo de mais de 150 gramas de carne vermelha por dia. "É difícil saber o que poderia acontecer com a acumulação de porções. Não temos evidências suficientes para contra-indicar o consumo de até uma porção por dia", diz. Pacientes que já têm colesterol elevado, no entanto, precisam de manter algum cuidado, uma vez que ainda não foram realizadas investigações para pessoas com este perfil. "Acredito que, se consumida com moderação, a carne vermelha não deve representar um risco", diz. Mas o especialista acrescenta: se o consumo for frequente, é provável que a taxa de colesterol do paciente não diminua.
Fonte: Sis Saúde