Produzido a partir de matérias-primas de alta disponibilidade e baixo custo, suplemento poderá contribuir para diminuir condição que atinge 21% das crianças até cinco anos e 43% das gestantes para que sejam supridas as necessidades de ferro de quem carece desse nutriente.
O conjunto dos potenciais beneficiários é extremamente vasto: crianças até 5 anos, gestantes e mulheres em idade fértil (que sofrem depleção periódica do nutriente devido à menstruação) isto é que possuem algum grau de deficiência em ferro.
Foram testadas duas matérias-primas abundantes e económicas: o soro de leite e as leveduras de cana-de-açúcar (Saccharomyces cerevisae). As proteínas de uma e de outra fonte foram hidrolisadas, isto é, ‘clivadas’ ou ‘cortadas’, com diferentes enzimas.
Os peptídeos (fragmentos de proteínas) resultantes passaram por ultrafiltração para a obtenção de frações com massas menores do que 5KDa (cinco quilodaltons) que foram utilizadas na reação de quelação com o ferro, na forma de sulfato ferroso (FeSO4).
A quelação consiste em ligar o ião ferro a mais do que um radical do peptídeo. Os peptídeos com capacidade quelante foram isolados e enviados ao Centro de Investigación de Alimentos, em Madrid, para o sequenciamento dos aminoácidos presentes.
Para o produto resultante ser ideal como suplemento alimentar, a quelação ao ferro deve ser forte, mas não demais, para garantir a estabilidade do composto durante sua passagem pelo trato digestivo, caracterizado pelo pH ácido do estômago; mas não tão forte, de modo que a molécula seja capaz de libertar o ferro ao chegar aos enterócitos da membrana intestinal, possibilitando sua absorção.
Novos estudos
A força das ligações é um fator decisivo, determina a biodisponibilidade do mineral. Por apresentarem baixa biodisponibilidade, muitos alimentos ricos em ferro acabam por ser de pouca utilidade para o ser humano.
Não basta que haja ferro, é preciso que o organismo consiga absorvê-lo. De modo geral, a absorção é muito pequena, pois, devido ao potencial oxidativo e tóxico do ferro, o organismo possui mecanismos naturais de defesa, para limitar sua assimilação.
Os resultados obtidos com as proteínas hidrolisadas do soro de leite foram muito favoráveis. Já os hidrolisados de proteína de levedura apresentaram menor capacidade de quelação ao ferro (destes, aquele cuja hidrólise foi obtida por meio da enzima viscozyme exibiu maior biodisponibilidade do ferro ligado).
Deve-se provavelmente ao fato de essas proteínas serem materiais de menor pureza, contaminados com polissacarídeos provenientes da parede celular”, disse.
Constatado o potencial do soro de leite, o próximo passo é testar a biodisponibilidade do material com células conhecidas como CACO 2, que simulam o comportamento fisiológico e metabólico da borda intestinal humana, e, em seguida, com modelos animais.
Se se conseguir um peptídeo com alta biodisponibilidade, poderá até ser sintetizado a partir dos aminoácidos componentes.
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