O cobre tem capacidade para matar norovírus rapidamente, de acordo com um novo estudo
Uma das causas mais comuns de gastroenterite em todo o mundo é a presença de norovírus, com destaque para alimentos prontos a comer. O norovírus e vírus da hepatite A são transmitidos principalmente por alimentos.
O vírus é contagioso e pode ser transmitido através de superfícies de alimentos ou água contaminados. Uma pesquisa recente realizada por especialistas da Universidade de Southampton, no Reino Unido, confirmou que o cobre e as ligas de cobre destroíem rapidamente o norovírus. O artigo explica o efeito antimicrobiano do cobre contra norovírus e sua presença nos pratos e utensílios.
Os virus entéricos (norovírus, rotavírus, astrovírus) têm uma elevada resistência ambiental. Podem ser encontrados em alimentos que são consumidos crus ou mal cozinhados e por vezes propagam-se devido à contaminação cruzada (manuseio inadequado).
Os moluscos bivalves, os vegetais que são consumidos crus, como saladas e frutas tipo baga são os alimentos mais afetados por norovírus.
De acordo com o estudo realizado por investigadores britânicos publicado na revista PLoS ONE, estima-se que o norovírus é responsável por mais de 267 milhões de infeções em todo o mundo por ano.
O vírus é resistente a uma ampla gama de pH e temperaturas (-20 °C a 72 °C). Alguns estudos também demonstram que, além das superfícies, o norovírus pode ser transmitido através dos panos utilizados na limpeza de superfícies contaminadas.
O efeito antimicrobiano do cobre
Estudo demonstrou que o norovírus é destruído nas superfícies que contenham mais de 60% de cobre. As ligas de cobre, também provaram ser eficazes como superfícies antimicrobianas contra várias bactérias e fungos.
Segundo a pesquisa, a taxa de inativação inicial é muito rápida com o cobre, algo que não aconteceu com o bronze. Os especialistas responsáveis pela investigação, alegam que o uso de superfícies antimicrobianas contendo cobre, pode ajudar a reduzir a propagação de norovírus.
O vírus pode permanecer em superfícies sólidas e é resistente a certas soluções de limpeza. Especialistas dizem que é necessário o uso de 0,1% de hipoclorito (equivalente a 1.000 ppm de cloro) para a desinfecção de superfícies. Para os especialistas britânicos, as superfícies de cobre, tais como torneiras e maçanetas pode quebrar o ciclo da infecção e reduzir o risco de surtos.
A taxa de inativação foi proporcional ao teor de cobre, embora os especialistas admitam que mais estudos são necessários para avaliar com precisão o efeito de diferentes acabamentos. Também foram capazes de confirmar que a inactivação de norovírus é também dependente da temperatura: é mais lenta, a 4 °C e mais rápida a 37 °C.
Não ficou demonstrado, no entanto, se a taxa de inactivação do cobre é diferente se for superfícies húmidas ou secas.
Outros estudos realizados sobre a capacidade antimicrobiana do cobre têm demonstrado a sua eficácia contra uma larga gama de microrganismos patogénicos, tais como E. coli, Listeria monocytogenes e iStaphylococcus aureus.
Pratos e norovírus
Na maioria dos casos os procedimentos de limpeza dos pratos e talheres, capazes de eliminar as bactérias, não são eficazes na destruição de norovírus, de acordo com pesquisa realizada no final de 2012 por um grupo de especialistas da Universidade Estadual de Ohio.
O norovírus resiste tanto à limpeza na máquina de lavar louça, como na que é realizada à mão.
Embora as duas formas reduzam a presença de E. coli para níveis seguros, a máquina é mais eficiente, embora não tenha sido comprovada a redução de norovírus. No entanto, a manipulação adequada ainda é o fator mais importante para evitar a contaminação cruzada de alimentos e pratos.
Norovírus e aço inoxidável
A dose infecciosa de norovírus é muito baixa. Segundo o estudo "Efeito dos resíduos alimentares na sobrevivência de norovírus em superfícies de aço inoxidável", levado a cabo por especialistas da Universidade de Ciência de Tóquio em 2011, os resíduos de alimentos têm um efeito significativo na sobrevivência de norovírus, aumentando tanto a capacidade de sobrevivência como a resistência química. Uma das conclusões do estudo é que precisamos de um processo de limpeza adequado e completo para evitar a contaminação causada por norovírus.
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