A Península Ibérica é o maior produtor europeu de alimentos e a região tem condições ótimas para investidores institucionais: é política e financeiramente estável, com regulação considerada friendly para quem investe, um clima ameno, perfeito para a produção de culturas de valor acrescentado e tem no regadio um óbvio fator de atratividade.
Portugal e Espanha continuam firmes na liderança da produção de alimentos na Europa, e isso reflete-se no interesse dos investidores, com os volumes totais de transações a crescer 50% em 2025, em comparação com 2024.
A estabilização – ou aumento moderado – dos preços da terra também desempenha um papel determinante neste contexto, apesar do atual clima macroeconómico e geopolítico volátil.
Ambos os países têm previsões de crescimento económico acima de 2%. “O volume de produção e o valor adicionado na produção agrícola, de certa forma o PIB agrícola nestes países, está no ranking 1 e 2 na Europa. São [Portugal e Espanha] os maiores produtores na Europa”, aponta Manuel Albuquerque, Diretor de Agronegócio para o Sul da Europa da CBRE.
O regadio como fator distintivo
A atratividade da Europa é inquestionável: um mercado interno que funciona sem fronteiras, sem tarifas e com uma moeda forte, o euro. Mas o fator distintivo para a Península Ibérica é sem dúvida a água: o sul da Europa dispõe de uma infraestrutura de regadio que, combinada com o clima, lhe dá uma vantagem diferencial com o resto da Europa. A Península Ibérica está entre as regiões europeias com maior área irrigada e os números são claros: cerca de 15 a 20% da terra agrícola utilizável é irrigada em Portugal, Espanha e Itália, um valor que contrasta com os 3 ou 4% de média no resto da Europa.
A garantia de água para poder produzir estes produtos de alto valor, sobretudo nas culturas permanentes, é uma mais-valia para os investidores.
Em Portugal, o Alqueva é um exemplo de referência: “É um benchmark internacional, até mesmo para os espanhóis, porque houve muito investimento espanhol na região. Ter 130 mil hectares regados com segurança hídrica não é obra fácil. É aí que está, sem dúvida, o maior foco do investimento institucional, mas também por uma questão de escala. Se procurarmos ativos ou empresas que tenham uma escala mínima para justificar a entrada de um destes fundos internacionais, estamos a falar em Alqueva”, frisa Manuel Albuquerque.
A esta disponibilidade hídrica juntam-se as condições agronómicas do país, com regiões, e culturas, de grande atratividade, para além do Alentejo. É o caso do Ribatejo, que tem estado a crescer e onde existem cada vez mais transações e investimentos. Mas também o Algarve, que nos últimos anos entrou fortemente no radar dos investidores.
Fonte: Vida Rural