29 de Setembro de 2026
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Segurança e sustentabilidade passam a ser consideradas desde a conceção dos produtos
2026-09-29
Qualfood

O ISQ destaca a importância de integrar segurança e sustentabilidade nas primeiras fases de desenvolvimento de produtos, materiais e processos, através da abordagem europeia Safe and Sustainable by Design (SSbD).

O modelo europeu Safe and Sustainable by Design procura antecipar riscos, impactos ambientais, consumo de recursos e possibilidades de circularidade ainda nas primeiras fases de desenvolvimento. O ISQ está a aplicar estes princípios em projetos de investigação e inovação.

Em comunicado, o ISQ destaca a importância de integrar segurança e sustentabilidade nas primeiras fases de desenvolvimento de produtos, materiais e processos, através da abordagem europeia Safe and Sustainable by Design (SSbD). A lógica passa por antecipar riscos e impactos enquanto ainda existe margem para alterar as soluções em estudo.

Um produto pode chegar ao mercado dentro de alguns anos, mas muitas das decisões que vão determinar o seu impacto são tomadas muito antes. A escolha de uma matéria-prima, de uma substância ou de um processo de fabrico pode influenciar a segurança dos trabalhadores, o consumo de recursos, os resíduos gerados, os custos de produção e o impacto ambiental ao longo de todo o ciclo de vida.

A questão é saber se estes problemas podem ser antecipados enquanto ainda há margem para escolher outra solução.

O Safe and Sustainable by Design (SSbD) é uma abordagem promovida pela Comissão Europeia que procura integrar critérios de segurança e sustentabilidade nas primeiras etapas da investigação e inovação. Em vez de avaliar uma tecnologia quando está praticamente concluída, a proposta passa por introduzir estes critérios enquanto o seu desenho ainda pode ser alterado.

A mudança tem consequências para a forma como os produtos e processos são desenvolvidos. Uma alteração feita durante a fase de conceção pode ser relativamente simples. A mesma mudança depois de uma tecnologia ter sido desenvolvida, testada e integrada numa linha de produção pode exigir mais tempo, investimento e recursos.

A pergunta já não é apenas se funciona

Durante muito tempo, o desenvolvimento de novos produtos esteve sobretudo centrado no desempenho: funciona? É eficiente? É economicamente viável?

O SSbD acrescenta outras questões: é seguro? Que impacto terá no ambiente? Que recursos exige? O que acontece quando deixar de ser utilizado? Existem alternativas com menor risco ou menor impacto? Há dependência de matérias-primas críticas?

A resposta não passa necessariamente por escolher a alternativa com melhor desempenho numa única variável. A ideia é comparar diferentes opções e avaliar o equilíbrio entre desempenho, segurança, sustentabilidade e viabilidade económica.

Numa nova formulação, por exemplo, diferentes substâncias podem ser analisadas tendo em conta os seus perigos, impactos ambientais, custos, possibilidade de recuperação ou reutilização e dependência de matérias-primas críticas.

Num processo industrial, a análise pode incluir os riscos para os trabalhadores, o consumo de energia e água, as emissões, os resíduos e as possibilidades de circularidade.

A metodologia pode também ser aplicada ao desenvolvimento de novos materiais e tecnologias, combinando a caracterização experimental com a avaliação antecipada dos potenciais riscos e impactos.

Da obrigação à oportunidade

A relevância desta abordagem não está apenas na capacidade de cumprir requisitos regulamentares. Para as empresas, antecipar problemas pode permitir evitar alterações tardias, reduzir custos e preparar soluções para um mercado onde as exigências ambientais e de segurança têm vindo a ganhar peso.

Segurança e sustentabilidade passam, assim, a ser consideradas também como variáveis com impacto nas decisões de negócio.

Uma empresa que identifique antecipadamente a dependência de uma matéria-prima crítica, por exemplo, pode procurar alternativas antes de enfrentar uma limitação de fornecimento. Da mesma forma, reduzir o consumo de recursos ou facilitar a recuperação de materiais pode melhorar simultaneamente o desempenho ambiental e a eficiência de um processo.

O laboratório onde estas decisões começam

Entidades tecnológicas como o ISQ podem desempenhar um papel de ligação entre a investigação e a indústria. A aplicação do SSbD exige conhecimento de diferentes áreas e, consoante a tecnologia em causa, pode combinar metodologias de identificação de perigos e avaliação de riscos com avaliação do ciclo de vida (LCA), análise de custos ao longo do ciclo de vida (LCC), avaliação social do ciclo de vida, análise de circularidade, identificação de matérias-primas críticas e simulação de processos.

O objetivo é transformar informação técnica proveniente de diferentes áreas em elementos que possam apoiar decisões durante o desenvolvimento de produtos e processos.

Segundo o ISQ, a entidade tem vindo a desenvolver experiência nesta área através da participação em projetos e consórcios europeus de investigação e desenvolvimento tecnológico, procurando aplicar os princípios do SSbD em diferentes contextos de inovação.

Para a indústria europeia, esta capacidade ganha relevância num contexto marcado pela transição energética, pela pressão sobre os recursos, pela necessidade de aumentar a circularidade e por cadeias de abastecimento sujeitas a novas vulnerabilidades.

O desafio passa por transformar os princípios do SSbD em ferramentas concretas de apoio à inovação, aproximando ciência, tecnologia e indústria.

Factos | Safe and Sustainable by Design

O que é?

Uma abordagem que integra segurança e sustentabilidade na conceção de produtos, materiais e processos, desde as primeiras fases de investigação e desenvolvimento.

O que pode ser analisado?

  • Segurança química e riscos para a saúde e o ambiente;
  • Impactos ambientais ao longo do ciclo de vida;
  • Consumo de energia e recursos;
  • Custos ao longo do ciclo de vida;
  • Segurança dos processos e dos trabalhadores;
  • Circularidade e fim de vida;
  • Aspetos sociais;
  • Utilização de matérias-primas críticas.

O que pode mudar para as empresas?

A possibilidade de comparar alternativas numa fase em que ainda é possível alterar materiais, substâncias, processos ou tecnologias, reduzindo o risco de decisões mais dispendiosas numa fase avançada do desenvolvimento.

Fonte: GreenSavers

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