12 de Outubro de 2026
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Técnica avançada de edição de genoma permite afinar a textura e a qualidade do arroz
2026-10-12
Qualfood

Investigadores chineses utilizaram a técnica de prime editing para desenvolver novas variedades de arroz com menor teor de amilose, melhorando características relacionadas com a textura, a consistência e a qualidade do arroz após a cozedura.

Os investigadores recorreram ao prime editing, uma técnica de edição genética de elevada precisão, para modificar uma região reguladora do gene Wx (Waxy), responsável pela produção de um dos componentes do amido que influencia a forma como o arroz cozinha e a sua textura quando consumido.

Em vez de eliminar completamente o gene — uma alteração que pode resultar num arroz excessivamente pegajoso, semelhante ao arroz glutinoso — os investigadores modificaram de forma precisa o promotor do gene Wx, reduzindo a sua expressão.

A estratégia permitiu obter duas novas linhas de arroz com reduções do teor de amilose de até 3,95 pontos percentuais, sem alterações significativas nas características agronómicas avaliadas.

Melhor textura sem comprometer as características agronómicas

Nos ensaios laboratoriais, as duas linhas de arroz editadas apresentaram maior consistência do gel, maior viscosidade de quebra e melhores valores instrumentais de palatabilidade. Estas características estão associadas a uma textura mais macia e a uma melhor qualidade do arroz depois de cozinhado.

Os investigadores realizaram também avaliações no campo, não tendo sido observadas diferenças significativas nas características agronómicas analisadas entre o arroz editado e a variedade original.

Um dos aspetos particularmente relevantes do estudo foi a comparação das sequências dos promotores modificados com uma base de dados de 3 032 acessos de arroz. Nenhuma das duas sequências editadas foi encontrada entre os acessos analisados.

Mais opções para o melhoramento vegetal

Os resultados mostram o potencial do prime editing para criar, de forma dirigida, novas versões de genes já existentes, incluindo variantes que não estão facilmente disponíveis nas populações naturais de uma determinada cultura.

No caso do arroz, esta abordagem poderá ampliar as possibilidades dos programas de melhoramento para ajustar características relacionadas com a qualidade culinária e sensorial, sem necessariamente alterar outras características agronómicas importantes.

Os autores salientam, contudo, que serão necessárias avaliações sensoriais com consumidores e novos ensaios de campo para confirmar o desempenho e a qualidade das novas linhas de arroz.

O estudo demonstra, assim, como as novas ferramentas de edição genética podem contribuir para um melhoramento vegetal mais preciso, permitindo ajustar características específicas das culturas de acordo com as necessidades dos produtores e dos consumidores.

Leia o estudo em International Journal of Molecular Sciences, “Fine-Tuning Rice Amylose Content and Eating Quality by Prime Editing of the Wx Gene Promoter”.

Fonte: Centro de informação de biotecnologia

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