13 de Agosto de 2026
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Mercado da beleza mantém crescimento próximo de 2%
2026-08-13
Qualfood

O mercado global de beleza e cuidados pessoais deverá atingir 590 mil milhões de dólares (512,4 mil milhões de euros) em vendas em 2026, mantendo um crescimento próximo de 2% apesar da pressão exercida pela guerra no Irão sobre os custos, as cadeias de abastecimento e o poder de compra dos consumidores.

A projeção da Euromonitor International confirma a resiliência do sector, embora represente um abrandamento face à previsão de crescimento de 2,5% elaborada antes do conflito. Mesmo num cenário de perturbações prolongadas no estreito de Ormuz até 2028, as vendas mundiais deverão avançar 1,8% este ano. Caso o conflito seja resolvido durante 2026, a progressão poderá aproximar-se de 1,9%.

A guerra está a transmitir um choque de custos aos mercados de consumo através do aumento dos preços da energia, das dificuldades no transporte marítimo e dos danos nas infraestruturas. Na indústria da beleza, estes fatores refletem-se nos custos dos ingredientes, embalagens, produção e logística.

 Fragrâncias sustentam crescimento

As fragrâncias estão entre as categorias que demonstram maior capacidade de resistência. A Euromonitor considera que estes produtos beneficiam da procura por formas relativamente acessíveis de bem-estar, indulgência e expressão pessoal.

Em períodos de incerteza, alguns consumidores reduzem as compras de bens de maior valor, mas mantêm pequenas despesas que proporcionam conforto emocional. Este comportamento, frequentemente designado por “efeito batom”, tem sido identificado não apenas na maquilhagem, mas também nos perfumes, nos cuidados capilares e noutras categorias de beleza.

Uma das maiores empresas do setor, registou no primeiro trimestre o crescimento comparável mais elevado dos últimos dois anos, de 6,7%, beneficiando da procura por produtos capilares premium e fragrâncias. A empresa não observou alterações significativas nos padrões globais de consumo, embora admita poder aumentar preços para compensar os custos do plástico e da logística.

 Marcas árabes dominam perfumes no Médio Oriente

O Médio Oriente desempenha um papel particularmente importante no desempenho da categoria de fragrâncias. As marcas árabes representam cerca de 80% do valor combinado das principais marcas de perfumes da região, num total estimado em 1,3 mil milhões de dólares (1,13 mil milhões de euros) em 2025.

A força destas empresas é apoiada pela relevância cultural dos perfumes, pela fidelidade dos consumidores e pela capacidade de oferecer produtos adaptados às preferências locais.

As marcas e distribuidores beneficiam igualmente de reservas de inventário suficientes para quatro a seis meses, que têm permitido reduzir o impacto imediato das perturbações. A continuação das operações das companhias aéreas dos países do Conselho de Cooperação do Golfo também ajudou a manter os fluxos de mercadorias.

Apesar das limitações ao turismo e ao comércio de viagem, a procura dos consumidores residentes continua a sustentar as vendas em mercados como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos.

 Custos de embalagens e transporte aumentam

A resiliência da procura não elimina, contudo, os riscos operacionais. A subida dos preços da energia está a encarecer matérias-primas derivadas do petróleo, incluindo resinas utilizadas na produção de frascos, tampas, tubos e embalagens de cosmética.

As empresas enfrentam ainda menor disponibilidade de contentores, tempos de transporte mais longos e custos adicionais para utilizar rotas alternativas. Alguns fabricantes estão a reforçar os stocks de componentes essenciais para proteger a continuidade da produção.

Estas pressões poderão ser transferidas parcialmente para os consumidores, mas a capacidade de aumentar preços dependerá do posicionamento das marcas e da sensibilidade de cada mercado.

 Contrafação e mercado paralelo ganham espaço

A inflação e as dificuldades de abastecimento podem também aumentar a procura por produtos mais baratos e estimular a contrafação e o mercado paralelo.

A Euromonitor alerta para a necessidade de as marcas acompanharem mais atentamente os canais de distribuição, protegerem a autenticidade dos produtos e assegurarem a disponibilidade das referências com maior procura.

As empresas com cadeias de fornecimento diversificadas, stocks de segurança e capacidade para ajustar rapidamente os mercados de origem e destino estarão mais bem posicionadas para responder a interrupções prolongadas.

A evolução prevista para 2026 confirma, assim, que a beleza continua a ser uma categoria resistente à instabilidade económica. No entanto, a manutenção do crescimento dependerá da capacidade das empresas para absorver ou repercutir os custos, preservar a disponibilidade dos produtos e responder a consumidores mais atentos ao preço.

Fonte: Grande Consumo

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