18 de Maio de 2026
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Cientistas criaram um 'plástico vivo' capaz de se decompor completamente em poucos dias
2026-05-18
Qualfood

Muitos plásticos acabam no mar e nos oceanos devido à má gestão do ser humano, poluindo-nos e pondo em risco os animais – e a nós próprios. Da China, surge agora um pequeno contributo para combater este flagelo.

Dependendo do tipo, o plástico pode demorar entre cem e mil anos a degradar-se, com uma média de 500 anos. Por exemplo, uma garrafa PET (um dos objectos de plástico mais usados em todo o mundo) pode demorar mil anos a decompor-se completamente. Os sacos de plástico demoram mais de 150 anos. A sua má gestão fez com que os mares e oceanos estejam muito poluídos, dando origem a “ilhas de plástico”. Não só tornam a paisagem “feia”, como os animais podem ficar feridos ou morrer por sua causa.

Os plásticos mais prejudiciais são os microplásticos (com menos de 5 mm). As estações de tratamento não conseguem retê-los, por isso, chegam directamente ao mar e são ingeridos pelos animais, os mesmos que depois consumimos. Para reduzir a poluição por plástico é necessário, em primeiro lugar, diminuir a sua quantidade. Em segundo, se, por algum motivo for necessário usá-lo, devemos reutilizá-lo ao máximo, sem que se torne prejudicial para a saúde e o meio ambiente. Por fim, devemos reciclá-lo. Quase todos conhecem a teoria, mas poucos a põem em prática. Por conseguinte, os investigadores desenvolveram um novo tipo de plástico que se autodestrói.

Um método para activar os esporos na água

Uma equipa de investigadores utilizou duas estirpes bacterianas que trabalharam conjuntamente e decompuseram completamente o plástico em apenas seis dias, sem gerar microplásticos. Zhuojun Dai, um dos autores principais do estudo, explicou que “a constatação de que os plásticos tradicionais duram séculos, enquanto muitas das suas aplicações, como as embalagens, têm uma vida útil curta, levou-nos a perguntar: “poderíamos incorporar a decomposição directamente no ciclo de vida do material?”

Aparentemente, há muitos micróbios capazes de decompor longas cadeias de polímeros em fragmentos mais pequenos através da acção de enzimas. Uma vez que os plásticos são polímeros, estas enzimas, ou os micróbios que as produzem, poderiam ser incorporadas em plásticos biológicos. “Ao incorporar estes micróbios, os plásticos poderiam ‘ganhar vida’ e autodestruir-se, transformando a durabilidade de um problema numa característica programável”, explicou Dai.

As tentativas anteriores basearam-se principalmente numa única enzima, por isso Dai e os seus colegas quiseram melhorar a eficiência da decomposição. Como? Modificando geneticamente a bactéria Bacillus subtilis para produzir duas enzimas cooperantes: uma decompõe os polímeros em fragmentos mais pequenos, enquanto a outra decompõe lentamente os fragmentos nas suas unidades monoméricas constituintes a partir de cada extremidade.

Os investigadores decidiram misturar a forma latente dos esporos de B. subtilis com policaprolactona, muito comum na impressão 3D e em algumas linhas cirúrgicas, para proteger os micróbios antes de serem necessários. O plástico vivo resultante da experiência tinha propriedades mecânicas semelhantes às das películas de policaprolactona, sem as modificar. Acrescentando-lhes um caldo nutritivo a 50 graus Celsius, os esporos foram activados, reduzindo o plástico aos seus componentes essenciais em apenas seis dias.

Para uma investigação mais profunda, os especialistas criaram um eléctrodo de plástico portátil a partir do seu plástico vivo e descobriram que funcionava como se esperava, decompondo-se completamente em duas semanas. Este é apenas o ponto de partida, uma vez que os investigadores esperam desenvolver um método para activar os esporos na água, o destino final de grande parte da poluição por plástico. Embora este trabalho tenha incidido num único polímero, é possível utilizar uma estratégia semelhante noutros tipos de plástico, incluindo os que se encontram comummente nos plásticos de uso único.

Fonte: National Geographic

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