Qualidade continua a ser o principal fator de compra e 60% dos consumidores que ainda não compram produtos da UE mostram interesse.
Os produtos alimentares e bebidas da União Europeia continuam a reforçar a sua reputação nos mercados internacionais, impulsionados pela perceção de qualidade e pelo interesse crescente dos consumidores. A conclusão é de um novo Eurobarómetro Flash da Comissão Europeia, que analisou a imagem dos produtos agroalimentares europeus em 11 mercados estratégicos.
O estudo revela que os produtos da UE já fazem parte dos hábitos de consumo de vários países, com destaque para os Emirados Árabes Unidos, onde 58% dos consumidores urbanos afirmam adquirir alimentos e bebidas europeus todas as semanas, e para o Reino Unido, onde essa percentagem atinge os 50%.
Em contrapartida, mercados como o México e o Japão apresentam ainda níveis mais reduzidos de consumo regular, com apenas 27% e 28% dos consumidores, respetivamente, a comprarem produtos europeus semanalmente, o que, segundo Bruxelas, evidencia um significativo potencial de crescimento.
A qualidade surge como o principal fator de decisão de compra em todos os mercados analisados – China, Índia, Indonésia, Japão, México, Arábia Saudita, Coreia do Sul, Tailândia, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Estados Unidos – o que reforça, na opinião da Comissão, a competitividade internacional do sector agroalimentar europeu.
O inquérito mostra igualmente um aumento do reconhecimento dos sistemas europeus de certificação, como os produtos biológicos, as Indicações Geográficas Protegidas (IGP) e a campanha promocional “Enjoy, it’s from Europe!“, embora a Comissão Europeia considere que continua a existir margem para melhorar o conhecimento destes selos junto dos consumidores.
Entre os consumidores que atualmente não compram produtos agroalimentares da União Europeia, 60% afirmam estar interessados em experimentá-los. Destes, 13% garantem que pretendem começar a adquiri-los.
A intenção de compra é particularmente elevada na Índia, onde 26% dos inquiridos manifestam vontade de passar a consumir produtos europeus, seguida da Indonésia (25%) e dos Emirados Árabes Unidos (22%).
Para a Comissão Europeia, estes resultados confirmam o potencial de expansão das exportações agroalimentares e reforçam a importância das missões empresariais organizadas pelo executivo comunitário para apoiar as empresas europeias na entrada em mercados de elevado crescimento.
Bruxelas destaca também o impacto positivo das recentes missões de diplomacia económica no sector agroalimentar.
Na missão realizada ao Japão, em junho de 2025, mais de um quinto das empresas participantes afirmaram ter concretizado negócios diretamente relacionados com a iniciativa apenas um ano depois. Já na missão realizada à Tailândia, em maio deste ano, quase 90% dos participantes referiram ter estabelecido novos contactos comerciais e esperam um crescimento da atividade como resultado da participação, enquanto 7% já fecharam negócios.
A Comissão Europeia confirmou ainda novas missões empresariais para 2026 e 2027. O comissário europeu para a Agricultura, Christopher Hansen, liderará uma missão ao México em novembro de 2026 e outra à Índia no outono de 2027, com o objetivo de reforçar a presença dos produtos agroalimentares europeus nestes mercados e aproveitar o potencial criado pelo futuro acordo de comércio livre entre a União Europeia e a Índia.
Fonte: Grande Consumo