A integração de subprodutos pecuários como fertilizantes orgânicos na cultura do tomate para a indústria está a ganhar tração em Portugal e noutros países mediterrânicos, impulsionada pela necessidade de reduzir custos, melhorar a saúde do solo e cumprir metas de sustentabilidade exigidas pela indústria agroalimentar.
Uma solução circular para um setor pressionado
Com o aumento dos custos dos fertilizantes minerais e a crescente pressão para reduzir a pegada ambiental da produção agrícola, produtores e indústrias estão a olhar para efluentes pecuários tratados, compostos orgânicos, farinhas de ossos e digestatos de biogás como alternativas viáveis para nutrir os campos de tomate.
Estes subprodutos, quando devidamente estabilizados e aplicados de forma controlada, permitem:
Resultados promissores em produtividade e qualidade
Ensaios conduzidos por centros de investigação e organizações de produtores mostram que a aplicação de fertilizantes orgânicos de origem pecuária:
A indústria do tomate, fortemente dependente de contratos de fornecimento estáveis, vê nesta abordagem uma forma de reforçar a resiliência da produção e mitigar riscos associados a volatilidade de preços dos fertilizantes.
Um passo estratégico para a agricultura circular
A valorização de subprodutos pecuários encaixa diretamente nas prioridades europeias de economia circular, redução de emissões e melhoria da saúde dos solos. Para os produtores, representa uma oportunidade de:
Para o setor pecuário, abre‑se uma via de integração com a horticultura industrial, criando novos mercados para subprodutos que antes tinham destino limitado.
O que vem a seguir
O próximo desafio passa por normalizar critérios de qualidade, garantir segurança microbiológica e otimizar planos de fertilização que combinem nutrientes orgânicos e minerais de forma eficiente. A indústria do tomate já sinalizou interesse em apoiar projetos-piloto e sistemas de certificação que reforcem a confiança na utilização destes materiais.
Fonte: Qualfood