14 de Agosto de 2026
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Estudo revela que muitas pessoas sobrestimam o impacto ambiental das suas ações no dia a dia
2026-08-14
Qualfood

Os resultados mostram que ações familiares, como reciclar ou reduzir o desperdício alimentar, são frequentemente consideradas das mais importantes para reduzir a pegada de carbono. Em contrapartida, comportamentos como viajar menos de avião, utilizar menos o automóvel ou reduzir o consumo de carne vermelha são frequentemente subvalorizados, apesar de terem um potencial muito superior para reduzir emissões.

Muitas pessoas acreditam estar a adotar os comportamentos mais eficazes para combater as alterações climáticas, mas tendem a sobrestimar o impacto de ações como a reciclagem e a subestimar medidas com um efeito muito maior na redução das emissões de gases com efeito de estufa. A conclusão é de um estudo internacional publicado na revista científica Nature Sustainability.

A investigação, que envolveu cerca de 3.000 adultos nos Estados Unidos, contou com a participação de investigadores da Universidade de Genebra, da Universidade de Basileia e da Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia.

Os resultados mostram que ações familiares, como reciclar ou reduzir o desperdício alimentar, são frequentemente consideradas das mais importantes para reduzir a pegada de carbono. Em contrapartida, comportamentos como viajar menos de avião, utilizar menos o automóvel ou reduzir o consumo de carne vermelha são frequentemente subvalorizados, apesar de terem um potencial muito superior para reduzir emissões.

Os investigadores designam esta capacidade de compreender o impacto climático das diferentes escolhas do quotidiano por “competência carbónica” (carbon competence), ou seja, o grau de conhecimento que cada pessoa tem sobre a eficácia das suas ações na mitigação das alterações climáticas.

Segundo Claudia Schneider, psicóloga ambiental da Universidade de Canterbury e coautora do estudo, compreender corretamente o impacto das diferentes escolhas é essencial para que as pessoas possam tomar decisões mais eficazes. “As diferentes ações têm potenciais muito distintos para reduzir emissões, mas muitas pessoas não têm uma perceção correta dessa diferença. Se queremos que façam escolhas informadas, precisamos de comunicar muito melhor quais são as medidas de baixo, médio e elevado impacto”, afirma.

Os atalhos mentais influenciam as escolhas

O estudo conclui que esta perceção errada não resulta apenas da falta de informação. Os investigadores identificaram vários mecanismos psicológicos que condicionam a forma como as pessoas avaliam o impacto ambiental dos seus comportamentos.

Um deles é a chamada heurística da disponibilidade, através da qual as pessoas tendem a atribuir maior importância às ações que lhes ocorrem mais facilmente ou que são mais divulgadas.

Outro é o raciocínio motivado, que leva muitos indivíduos a acreditar que os comportamentos que já adotam são particularmente eficazes, reforçando uma imagem positiva de si próprios.

Para os autores, estes fatores explicam por que motivo simplesmente informar as pessoas sobre quais as ações mais eficazes produz resultados limitados.

Comunicação mais direcionada poderá ser mais eficaz

Ao longo de três estudos envolvendo 2.924 participantes, os investigadores avaliaram a forma como os inquiridos classificavam o potencial de redução de emissões de 34 comportamentos relacionados com os transportes, a alimentação e outras atividades do quotidiano.

A equipa testou ainda diferentes formas de melhorar esta compreensão. Os resultados mostram que fornecer informação adicional ou indicar quais as medidas com maior impacto pode ajudar algumas pessoas, mas os efeitos variam significativamente entre diferentes grupos da população.

Por isso, os autores defendem que as campanhas de sensibilização sobre alterações climáticas devem ser mais direcionadas e adaptadas aos diferentes públicos, em vez de recorrerem a mensagens uniformes.

Embora o estudo tenha sido realizado nos Estados Unidos, os investigadores consideram que os mecanismos psicológicos identificados são comuns a outros países e poderão ajudar a melhorar as estratégias de comunicação sobre ação climática a nível internacional.

Fonte: GreenSavers

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