Uma equipa de cientistas do Instituto Flamengo de Biotecnologia (VIB) e da Universidade de Leuven (KU Leuven) desenvolveu o CREsted, uma ferramenta que recorre à inteligência artificial para ajudar a compreender melhor o funcionamento dos genes. O software foi apresentado num artigo publicado na revista científica Nature Methods.
O corpo humano contém milhares de genes, mas nem todos estão ativos ao mesmo tempo. Saber o que faz com que um gene seja “ligado” ou “desligado” em cada tipo de célula é uma das grandes questões da ciência atual. O CREsted vem facilitar essa tarefa, reunindo num só programa várias etapas do processo de análise e criação de sequências de ADN reguladoras — os chamados “enhancers”, que atuam como interruptores genéticos.
“O CREsted ajuda-nos a estudar de forma mais sistemática como os genes são ativados em diferentes células e até a criar novas sequências de ADN com funções específicas”, explicou Niklas Kempynck, investigador e autor principal do estudo.
A ferramenta já foi testada em vários tipos de células e organismos, como o cérebro de ratos, células imunitárias humanas e o desenvolvimento de peixes-zebra, demonstrando que os enhancers desenhados pelo software funcionam como previsto.
Segundo o professor Stein Aerts, responsável pelo projeto, o CREsted torna o estudo do ADN mais acessível e organizado: “Com esta ferramenta, podemos compreender e comparar melhor os mecanismos de regulação dos genes e usá-los para criar novas aplicações na investigação e na medicina.”
O avanço mostra como a inteligência artificial se está a tornar um aliado essencial na ciência. Com o CREsted, abre-se caminho para compreender a linguagem do ADN e, um dia, talvez conseguir programar genes para tratar doenças ou desenvolver tecidos artificiais.
Leia o estudo no site do Instituto Flamengo de Biotecnologia (VIB).
Fonte: Centro de informação de biotecnologia