O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), QU Dongyu, defendeu uma abordagem sistémica e inclusiva para garantir o futuro da próxima geração de agricultores e das comunidades rurais.
Na Conferência Ministerial de Alto Nível sobre Renovação Geracional em Áreas Rurais, organizada pela Croácia, o responsável sublinhou que atrair jovens para a agricultura exige mais do que apoios diretos à atividade agrícola.
Segundo QU Dongyu, é necessário assegurar acesso à terra, financiamento, conhecimento e tecnologia, mas também habitação acessível, conectividade, creches, educação, serviços de saúde e condições para construir uma vida nas zonas rurais.
“A renovação geracional tem a ver com escolha”, afirmou o diretor-geral da FAO. E continua: “a nossa responsabilidade é criar as condições para que os jovens possam escolher a agricultura; possam escolher viver em zonas rurais; e possam escolher investir o seu talento, conhecimento e energia na transformação dos nossos sistemas agroalimentares.
Jovens enfrentam barreiras no acesso à atividade agrícola
A conferência reuniu decisores políticos e outras partes interessadas para debater os desafios demográficos das zonas rurais e da agricultura, bem como a articulação entre políticas agrícolas, desenvolvimento rural e outras áreas de intervenção pública.
De acordo com os dados apresentados pela FAO, 44% dos jovens trabalhadores a nível mundial dependem dos sistemas agroalimentares para o emprego, enquanto 46% dos jovens vivem em zonas rurais.
Apesar deste peso, muitos continuam a enfrentar barreiras no acesso à terra, ao financiamento, ao conhecimento, às competências e à tecnologia. O diretor-geral da FAO referiu ainda a falta de empregos dignos e de oportunidades de empreendedorismo.
“É por isso que a renovação geracional exige uma abordagem sistémica, que reúna políticas de desenvolvimento agrícola e rural com investimentos”, sublinhou.
Fonte: Vida Rural