Um sistema que permite optimizar a supervisão e o controlo de transportes frigoríficos, de forma a assegurar a rastreabilidade dos produtos alimentares até estes chegarem aos consumidores, foi desenvolvido por investigadores da Universidade Politécnica de Madrid e da Universidade de Bremen.
Quando falamos de alimentos frescos e congelados é imprescindível uma refrigeração adequada em todas as etapas da cadeia agro-alimentar.
Este sistema de conservação é conhecido como cadeia de frio e engloba o armazenamento, o transporte e a distribuição do produtor até ao consumidor final.
Neste contexto, investigadores do Laboratório de Propriedades Físicas e Tecnologias Avançadas em Agro-alimentação (LPFTAG), da Universidade Politécnica de Madrid, que trabalham no desenvolvimento de sensores para medir e controlar a qualidade de produtos hortifrutícolas, desenharam um sistema para a supervisão e controlo de transportes frigoríficos através do desenvolvimento de um sistema automatizado de monitorização.
O novo sistema permite a detecção de anomalias como, por exemplo, a ruptura da cadeia de frio produzida por alterações nas temperaturas. Desta forma, pode assegurar-se a rastreabilidade dos produtos, garantindo assim a confiança dos consumidores.
Os produtos alimentares perecíveis como frutas, vegetais, carne, pescado, congelados, entre outros, devem ser mantidos a baixas temperaturas para garantir que chegam aos consumidores com a maior qualidade possível.
Os recentes avanços em diversas tecnologias emergentes permitem novas aplicações no âmbito da conservação a frio. Dentro destas novas tecnologias destacam-se os sistemas de identificação por rádio frequência (RFID), desenvolvidos para permitir a identificação automática através de sinais de rádio, recuperando e armazenando dados remotamente através de dispositivos chamados de tags RFID.
Actualmente, dispomos de novos dispositivos RFID, do tamanho de um cartão de crédito, que integram um sensor de temperatura e uma memória, tornando possível o registo de temperaturas ao longo de toda a cadeia de frio sem necessidade de cabos ou de outras instalações adicionais.
O sistema passo a passo
O primeiro passo do estudo consistiu em seleccionar, de entre três sistemas RFID, o que apresentava um melhor desempenho.
Em seguida foram distribuídos 48 sensores numa palete, para avaliar a distribuição de temperaturas, simulando as condições normais da cadeia de frio.
Finalmente, foram monitorizados 15 camiões frigoríficos compartimentados, a diferentes temperaturas, incluindo transportes de produtos ultracongelados.
A partir dos dados obtidos foi possível detectar as diferenças de temperatura em função da distância do equipamento de frio, quantificar os desvios de temperatura e estimar o número mínimo de sensores que são necessários para uma monitorização fiável em camiões refrigerados, reduzindo em 30% o número inicial de sensores.
A utilização de um modelo que tem em conta as variações de temperatura durante o transporte e distribuição, permitiu estimar a vida útil dos produtos em diferentes condições de cadeia de frio, conseguindo-se aumentar o tempo de vida útil até 20%.
Desta forma pode optimizar-se a distribuição de alimentos, garantindo a identificação dos pontos críticos e fornecendo informações válidas para as empresas responsáveis pela cadeia de frio.
Fonte: UPM