A Sociedade Ponto Verde regressa ao Ageas Cooljazz para reforçar a sensibilização para a reciclagem de embalagens e aproximar os cidadãos de comportamentos mais sustentáveis através da cultura e da música.
Em entrevista à Green Savers, Ricardo Sacoto Lagoa, Diretor de Marketing, Sensibilização e Comunicação da Sociedade Ponto Verde, explica os festivais são espaços privilegiados para promover mudanças de comportamento, graças à sua capacidade de mobilização e ao contacto direto com milhares de pessoas. A presença da entidade no Ageas Cooljazz, que se realiza de 8 e 31 de julho, traduz-se numa combinação de infraestruturas de recolha seletiva, mobiliário produzido com plástico reciclado e ações de sensibilização no terreno, procurando integrar a reciclagem na experiência do festival e demonstrar que este é um gesto simples, possível em qualquer contexto.
O responsável sublinha ainda que, apesar do aumento do investimento no sistema de gestão de resíduos de embalagens, Portugal continua a enfrentar desafios significativos para cumprir as metas de reciclagem. Entre os principais obstáculos estão a necessidade de melhorar os níveis de serviço da recolha seletiva e as dúvidas que persistem entre os cidadãos sobre a correta separação das embalagens. Nesse sentido, iniciativas de proximidade como a parceria com o Ageas Cooljazz assumem um papel importante na literacia ambiental, ajudando a esclarecer, envolver e incentivar uma participação mais ativa na economia circular.
A Ponto Verde regressa ao Ageas Cooljazz como Parceiro Oficial de Sustentabilidade. Que objetivos concretos pretende alcançar com esta presença e de que forma avaliam o impacto destas iniciativas junto do público do festival?
A presença da Ponto Verde no Ageas Cooljazz tem como principal objetivo sensibilizar os festivaleiros para a importância da reciclagem de embalagens e reforçar a ideia de que pequenos gestos individuais podem ter um impacto real.
Enquanto Parceira Oficial de Sustentabilidade, reforçamos o nosso compromisso com a promoção da reciclagem de embalagens e com a sensibilização dos cidadãos para práticas mais conscientes em grandes eventos.
Para nós, faz todo o sentido associar a reciclagem de embalagens à cultura e à música, em particular nos festivais, porque são espaços que juntam milhares de pessoas e têm uma enorme capacidade de mobilização. Queremos reforçar a ideia de que separar corretamente as embalagens é um gesto simples, que pode fazer parte do dia a dia de todos, em qualquer momento e em qualquer lugar.
O impacto destas iniciativas reflete-se na adesão do público às ações de sensibilização, na utilização das infraestruturas disponibilizadas e no envolvimento dos festivaleiros para com a reciclagem de embalagens. Mais do que marcar presença, queremos contribuir para que este gesto faça parte da experiência do festival e seja levado para fora dele.
O Ageas Cooljazz reúne milhares de pessoas ao longo de várias semanas. Até que ponto eventos culturais deste tipo podem contribuir para alterar comportamentos e promover hábitos de reciclagem mais consistentes fora do contexto do festival?
Os eventos culturais, nomeadamente os festivais de música, são uma oportunidade para levar a mensagem da reciclagem de embalagens a um público alargado e reforçar a adoção de comportamentos mais sustentáveis no dia a dia.
Eventos com muitas pessoas têm uma enorme capacidade de mobilização e proximidade junto dos cidadãos, o que os torna, de facto, fundamentais para promover comportamentos mais sustentáveis.
A presença da Ponto Verde neste contexto enquadra-se precisamente na nossa estratégia de comunicação, educação e sensibilização, na qual já investimos 63.6 milhões de euros ao longo dos nossos 30 anos de atividade.
Além de facilitar a reciclagem de embalagens durante o evento, um festival permite criar momentos de contacto direto com os cidadãos, esclarecer dúvidas e reforçar a literacia ambiental através de experiências práticas.
Acreditamos, por isso, que é essencial que existam vários conjuntos de infraestruturas para deposição de embalagens distribuídas por todo o recinto. A conveniência e a qualidade na prestação deste serviço aos cidadãos são fundamentais para que haja uma participação ativa, independentemente do contexto.
Nesta edição, a Ponto Verde aposta em infraestruturas produzidas com plástico reciclado, ecopontos distribuídos pelo recinto e ações de sensibilização no terreno. Que importância tem a combinação entre soluções práticas e comunicação para aumentar a adesão à reciclagem?
A combinação entre soluções práticas e comunicação e sensibilização é essencial para transformar a intenção em ação. Por um lado, ao disponibilizarmos ecopontos e outras infraestruturas de recolha seletiva ao longo do recinto, tornamos a reciclagem de embalagens mais acessível e conveniente para todos os visitantes.
Nesta edição, a Ponto Verde instalou 30 mesas de piquenique fabricadas em plástico reciclado no foodcourt, e disponibilizou um espaço exclusivo na zona lounge, equipado com puffs produzidos a partir de material reutilizado de outras ativações, para conforto dos festivaleiros.
Além disso, tem disponíveis 20 estruturas de ecopontos com informação em português e inglês nas áreas públicas do Hipódromo e do Parque Marechal Carmona; na zona VIP, os camarotes, os camarins dos artistas e o backstage vão contar igualmente com a presença de ecopontos.
Existem também 15 placas produzidas em plástico reciclado com informação alusiva a esta boa prática e será exibido um vídeo temático durante os intervalos dos concertos, reforçando a mensagem de que a reciclagem de embalagens pode ser feita em todos os momentos e em qualquer lugar.
A estas iniciativas, junta-se a presença de mochileiros Ponto Verde, que vão interagir com os festivaleiros, permitindo esclarecer dúvidas, reforçar a importância da correta separação das embalagens e envolver os festivaleiros numa experiência mais consciente e participativa, contribuindo para a adoção de comportamentos mais sustentáveis.
A parceria entre a Ponto Verde e o Ageas Cooljazz é frequentemente apresentada como um exemplo de alinhamento entre cultura e sustentabilidade. Considera que os critérios ambientais estão a ganhar peso na forma como festivais e outros eventos culturais planeiam as suas operações e escolhem os seus parceiros?
Acreditamos que os critérios ambientais têm vindo a assumir um peso crescente na forma como festivais e outros eventos culturais planeiam as suas operações e escolhem os seus parceiros. Existe uma preocupação cada vez maior em reduzir o impacto ambiental destes eventos, através da implementação de soluções de gestão de resíduos, da promoção da economia circular e da sensibilização dos participantes para comportamentos mais sustentáveis. Nesse contexto, as organizações procuram parceiros que partilhem estes objetivos e que contribuam com conhecimento, soluções concretas e capacidade de mobilização do público.
O Ageas Cooljazz é um bom exemplo desta evolução. A parceria com a Ponto Verde demonstra que é possível integrar a sustentabilidade de forma natural na experiência do festival, combinando soluções práticas, como a disponibilização de ecopontos e outras infraestruturas de recolha seletiva, com ações de sensibilização no terreno que ajudam os festivaleiros a separar corretamente as suas embalagens.
Apesar da crescente sensibilização para a economia circular, Portugal continua a enfrentar desafios ao nível da reciclagem de embalagens. Quais são, na perspetiva da Sociedade Ponto Verde, os principais obstáculos que ainda persistem e que papel podem desempenhar iniciativas como esta para os ultrapassar?
Portugal continua a enfrentar desafios importantes ao nível da reciclagem de embalagens. Em 2025, apesar do investimento histórico de 212 milhões de euros no Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens (SIGRE), mais 90 milhões de euros do que em 2024, o País não atingiu a meta de reciclagem de embalagens de 65% de todas as embalagens colocadas no mercado. Em 2026, o financiamento do sistema deverá voltar a aumentar, atingindo cerca de 237 milhões de euros. Ainda assim, os resultados não acompanham de forma proporcional este esforço de investimento. O desafio passa, por isso, por garantir uma melhoria dos níveis de serviço no terreno. É fundamental reforçar a eficiência da recolha seletiva e da triagem, tornando o sistema mais acessível, conveniente e próximo das pessoas, para que o investimento realizado se traduza efetivamente em mais embalagens encaminhadas para reciclagem.
Mas há um outro desafio que depende de todos nós. 7 em cada 10 portugueses separam as embalagens, mas destes só 1 é que separa bem, demonstrando que ainda existem dúvidas no momento de encaminhar corretamente estes resíduos. Foi precisamente para responder a esta necessidade que surgiu o chatbot da Ponto Verde, o ELO. Está disponível no site e na app Ponto Verde e o objetivo é que seja o ponto de ligação permanente entre os cidadãos e a informação fidedigna, aumentando as certezas quando chega o momento de reciclarem as embalagens.
Acreditamos que iniciativas como a presença da Ponto Verde no Ageas Cooljazz fazem a diferença. Ao estarmos presentes em contextos do dia a dia das pessoas, conseguimos sensibilizar, esclarecer dúvidas e reforçar a ideia de que cada embalagem corretamente separada contribui para alcançar as metas de reciclagem de embalagens.
Fonte: GreenSavers