Quase sete em cada dez europeus consideram que a inovação alimentar pode ajudar agricultores e produtores a enfrentar desafios como as alterações climáticas e a escassez de recursos. Ainda assim, 51% têm uma visão negativa destes produtos e 85% defendem informação clara sobre a sua produção, composição e origem.
Os europeus reconhecem os benefícios potenciais dos alimentos inovadores, mas continuam a demonstrar reservas em relação a estes produtos, sobretudo por falta de informação. Os dados são de um novo Eurobarómetro especial divulgado pela Comissão Europeia, que analisou as opiniões dos cidadãos sobre alimentos, ingredientes e culturas agrícolas desenvolvidos através de novas técnicas.
De acordo com o inquérito, 68% dos inquiridos concordam que a inovação alimentar pode dar aos agricultores e produtores ferramentas adicionais para enfrentar desafios como as alterações climáticas, as pragas, a escassez de recursos e as perturbações nas cadeias de abastecimento.
Apesar deste reconhecimento, quase três quartos dos europeus (72%) afirmam não se sentir bem informados sobre alimentos, ingredientes e culturas inovadores. No conjunto dos inquiridos, 51% têm uma opinião negativa sobre estes produtos, enquanto 39% apresentam uma visão positiva.
A informação influencia a aceitação
O nível de informação parece estar diretamente relacionado com a forma como os consumidores encaram a inovação alimentar. Entre os inquiridos que se consideram bem informados, 72% têm uma opinião positiva sobre estes alimentos. Entre aqueles que não se sentem bem informados, a percentagem desce para 27%.
As diferenças também são visíveis entre grupos etários. Mais de metade dos inquiridos com menos de 39 anos afirma sentir-se confortável com alimentos inovadores, em comparação com 34% das pessoas com 55 ou mais anos.
A escolaridade e o local de residência também influenciam os resultados. A aceitação é menor entre quem deixou a escola aos 15 anos do que entre aqueles que estudaram até aos 20 anos ou mais. Por outro lado, mais de metade dos residentes em grandes cidades sente-se confortável com alimentos desenvolvidos através de técnicas modernas, uma proporção superior à registada entre quem vive em aldeias ou zonas rurais, onde os valores variam entre 42% e 46%.
A familiaridade com estes produtos é outro fator relevante. Entre os inquiridos que já tinham ouvido falar de alimentos inovadores, 59% dizem sentir-se confortáveis com eles. A percentagem cai para 32% entre aqueles que não tinham conhecimento prévio destes alimentos.
Frutas e legumes adaptados à seca são os mais aceites
Entre os produtos apresentados no inquérito, as frutas e os legumes provenientes de culturas adaptadas à seca, às pragas ou a condições meteorológicas extremas são os que geram maior aceitação: 50% dos inquiridos afirmam sentir-se confortáveis com o seu consumo.
A Comissão Europeia considera que os resultados demonstram a importância da transparência para conquistar a confiança dos consumidores. Segundo o Eurobarómetro, 85% dos inquiridos defendem que os produtos alimentares inovadores devem ter denominações claras e disponibilizar informação compreensível sobre a forma como são produzidos, os ingredientes que contêm e a sua origem.
O executivo comunitário considera que os dados podem contribuir para futuras políticas, iniciativas de investigação e estratégias de comunicação, ajudando investigadores, inovadores e decisores políticos a ter em conta as expectativas da população desde as primeiras fases do desenvolvimento de novos produtos.
Fonte: sapo.pt