A Península Ibérica afirmou-se como a principal região europeia para o investimento em retalho no primeiro trimestre de 2026, com Portugal e Espanha a somarem 1.384 milhões de euros transacionados no sector, ultrapassando mercados tradicionalmente dominantes como o Reino Unido e a Alemanha. Os dados são da JLL, que destaca o crescente interesse do capital internacional pela região.
Portugal contribuiu com 340 milhões de euros de investimento em retalho nos primeiros três meses do ano, reforçando a atratividade do mercado nacional, sustentada pelo crescimento do consumo privado, pela força do turismo e pela procura consistente por ativos considerados de elevada qualidade.
Segundo a consultora, o desempenho da Península Ibérica resulta de uma combinação de fatores favoráveis, entre os quais o crescimento económico acima da média europeia, a estabilidade geopolítica e a capacidade de atração de operadores e investidores internacionais.
Em Portugal, o mercado foi impulsionado por operações envolvendo centros comerciais e retail parks, incluindo ativos como GaiaShopping, ArrábidaShopping e Matosinhos Retail Park, refletindo o dinamismo do sector e os elevados níveis de ocupação.
O retalho nacional arrancou 2026 com indicadores positivos. Dados do INE citados pela JLL mostram que as vendas no retalho, excluindo combustíveis, cresceram 4,4% em termos homólogos até março, impulsionadas pelos produtos não alimentares (+5,1%) e alimentares (+3,6%).
Os principais eixos de comércio de rua em Lisboa e Porto continuam igualmente a registar elevada procura. Em Lisboa, o turismo e a restauração mantêm-se motores da atividade comercial, enquanto o Porto reforça a sua posição junto de marcas internacionais.
Esta procura tem pressionado as rendas prime para níveis historicamente elevados. No primeiro trimestre, o Chiado registou rendas de 155 euros por metro quadrado por mês, enquanto a Rua de Santa Catarina, no Porto, atingiu os 90 euros por metro quadrado mensais.
O segmento alimentar e os supermercados destacam-se também como áreas de crescente interesse para investidores e operadores. As rendas prime para supermercados standalone chegaram aos 16 euros por metro quadrado por mês, refletindo a aposta em formatos de proximidade e conveniência.
A JLL antecipa que o mercado português de retalho mantenha uma trajetória positiva ao longo de 2026, apoiado pela procura contínua por ativos de qualidade, pelo crescimento do retalho experiencial e pela integração entre canais físicos e digitais. Centros comerciais, retail parks e supermercados deverão continuar a concentrar grande parte da atividade de investimento nos próximos meses.
Fonte: Grande Consumo