Especialistas em saúde pública defendem que, todos os alimentos de origem animal que chegam à mesa do consumidor são genericamente seguros, e reforçam que um alerta de retirada do mercado, de determinado produto, é prova de que os perigos são detectados.
O IV Ciclo de Conferências de Saúde Pública Veterinária, que decorreu no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) da Universidade do Porto contou com a participação de vários especialistas em saúde pública.
O responsável pelo Laboratório de Sanidade Animal e Segurança Alimentar do ICBAS considera que, graças aos actuais sistemas de vigilância e detecção de eventuais epidemias ou contaminações, é possível informar a população e retirar produtos do mercado em tempo útil.
A prova, acrescenta, é que de tempos a tempos, são detectados alimentos que não estão em condições, é feito o aviso e eles são retirados do mercado.
Muitas vezes as pessoas alarmam-se porque o alimento A ou B deve ser retirado, mas isso não deve ser sinal de alarme, mas sinal de que as coisas estão a funcionar regularmente e que os perigos são detectados, sustentou o professor de Saúde Pública e Veterinária do ICBAS.
A responsável pela organização desta conferência, Niza Ribeiro salientou, ainda, que o sistema que está montado para garantir que os alimentos de origem animal são seguros "é global e integrado", permitindo a empresas e entidades nacionais responsáveis a certificação de animais e seus produtos saibam quais são as suas responsabilidades.
Este ciclo de conferências, além de discutir a rastreabilidade nos sistemas de qualidade e a própria rotulagem dos produtos, abordou também as zoonoses, doenças que afectam os animais e que podem ser transmitidas aos seres humanos.
Francisco George, director-geral da Saúde, falou da gripe, a zoonose mais frequente.
Descoberto em 1933, o vírus da gripe já foi responsável por várias epidemias, a última das quais no ano passado, quando aves silvestres migratórias, portadoras do vírus H5, infectaram porcos que, posteriormente, o transmitiram às pessoas.
Foi erradamente identificada como gripe suína quando, na realidade, se trata de uma combinação de componentes genéticos de três hospedeiros (aves, porcos e humanos).
A gripe aviária é a zoonose mais frequente, mas apenas um dos milhares de agentes patológicos de origem animal que afectam os seres humanos.
O convívio de animais e pessoas acarreta sempre o risco de contaminações cruzadas, que podem, porém, ser minimizado por medidas de protecção e higiene, realça Niza Ribeiro, acrescentando ser fundamental assegurar cuidados de saúde veterinária aos animais de estimação.
Face à constante emergência de novas doenças relacionadas com o convívio ou consumo de animais, regra geral pouco graves.
O especialista reforçou a enorme importância para a atenção da população às indicações das autoridades quando ocorre um problema ou risco de pandemia.
Fonte: Lusa