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Jovens aliam tradição e inovação para dar continuidade ao fumeiro de Montalegre
2026-01-16
Qualfood

Há cada vez mais jovens a produzir fumeiro no concelho de Montalegre, através de um equilíbrio entre a tradição e a inovação, facto que “tranquiliza” a autarquia transmontana às portas de mais uma Feira do Fumeiro.

Na Aldeia Nova do Barroso, a família Costa prepara a 35.ª Feira do Fumeiro de Montalegre, que decorre de 22 a 25 de janeiro, há vários meses.

Maria João Costa, de 24 anos, é a produtora mais nova desta edição e, pela primeira vez, terá um ‘stand’ com o seu nome, apesar de marcar presença no certame desde o primeiro ano de vida.

Licenciada em Gestão, a jovem concilia o mestrado em Administração Pública e o trabalho como técnica superior com a produção de fumeiro.

“É um negócio que vem de geração em geração, a minha avó já fazia [fumeiro], as minhas tias e a minha mãe também fazem, e eu acho que esta tradição não deve ficar por aqui, até porque é das melhores coisas que temos no Norte”, reiterou, em declarações à Lusa.

Maria João apenas vê benefícios neste trabalho e, embora “na qualidade” não acrescente nada, acredita que os jovens podem ajudar a expandir o negócio, sobretudo a nível ‘online’.

“Podemos inovar, podemos ajudar os mais antigos a não desistirem, porque sentem algumas dificuldades com a evolução tecnológica. Podemos ajudá-los e expandir o negócio de outra maneira, ir para outras vertentes”, defendeu.

Com cerca de 30 porcos destinados ao fumeiro e outros derivados, além de 200 sêmeas, pão usado na confeção das alheiras e unidade de medida usada pelos produtores, Maria João entra agora numa fase crítica, que concilia com os estudos para os exames.

“É uma altura de muito trabalho, muito ‘stress’, porque queremos levar tudo nas melhores condições possíveis. Não usamos corantes nem conservantes, portanto [há] um trabalho acrescido nesta parte de secar bem, para não ganhar bolor, limpar, levar tudo ao pormenor”, assegurou.

Ali ao lado, a tia mais velha e “capataz”, Joaquina Costa, de 63 anos, faz uma pausa na azáfama que lhe tem ocupado os dias e roubado algumas noites de sono desde setembro.

“Fui eu que comecei e levei a família toda atrás de mim. Só fizeram [a Feira do Fumeiro de Montalegre] dois anos sem eu lá andar, já a faço há 33. Só a minha família tem nove ‘stands’”, destacou.

Joaquina começou por ajudar a mãe, aos 14 anos, a criar e transformar “dois ou três porquinhos”. Atualmente, transforma cerca de 10 animais para cada certame da região, o que equivale a cerca de 50 quilos de enchidos e outros derivados.

“Agora [temos] muito mais encomendas, já temos conhecimento, aqueles clientes certinhos, de há muitos anos, que vêm buscar aos quilos. Já não é como dantes, que se vendia uma chouriça aqui, outra ali”, explicou.

Quanto ao futuro, e apesar da falta de mão de obra “de fora”, a produtora mostrou-se orgulhosa por ver os sobrinhos e o filho a dar continuidade à sua “paixão” pelo fumeiro.

“A nossa gente acho que vai [continuar]. Já estamos a meter outras pessoas [da família] para irmos explicando [como se faz], [porque] a minha mãe também explicou [a mim e às minhas irmãs] para, depois, ensinarmos aos nossos filhos como [devem] fazer”, concluiu.

O concelho de Montalegre, no distrito de Vila Real, tem 50 produtores de fumeiro, entre os quais figuram cada vez mais jovens, facto que “tranquiliza, de algum modo”, a autarquia transmontana.

“É sinal que os jovens percebem que está aqui uma atividade que dá muito trabalho, com toda a certeza, que é dura, mas que também lhes permite ter um rendimento muito significativo para o ano”, reiterou a presidente do município de Montalegre, Fátima Fernandes.

Segundo a autarca, o concelho conta com mais de 15 milhões de euros em apoios do Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP), distribuídos por cerca de 2.400 explorações agrícolas.

“Somos um território resiliente, que se afirma por manter a tradição com inovação. Apostamos naquilo que é genuíno, autêntico e, sobretudo, nesta gente que aprimorou esta sabedoria, [agora] aliada [à] modernidade. [Temos] muita gente jovem que marca presença na [Feira do Fumeiro de Montalegre], felizmente, e que imprime [uma] dinâmica, uma visão mais fresca, diferente [ao fumeiro]”, destacou.

Fonte: Agroportal

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