Um estudo global de grande escala, que analisou dados de 60 anos relativos a 205 países e regiões, revelou falhas significativas na forma como as principais culturas alimentares do mundo utilizam os nutrientes aplicados sob a forma de fertilizantes. A investigação, liderada pela Academia Chinesa de Ciências (CAS), centrou-se em quatro culturas básicas da alimentação humana — arroz, trigo, milho e soja — e concluiu que, apesar do forte aumento no uso de fertilizantes, a eficiência de utilização do azoto e do fósforo continua alarmantemente baixa.
De acordo com os investigadores, a eficiência de utilização do azoto (NUE) e do fósforo (PUE) mantém-se em níveis críticos. O estudo identifica contrastes marcados entre culturas e regiões: enquanto o arroz em regiões tropicais e o trigo em zonas temperadas apresentam níveis relativamente mais elevados de eficiência, a produção de milho em grandes potências agrícolas, como os Estados Unidos e a China, segue um padrão preocupante de “elevados inputs e baixa utilização”.
Um dos dados mais relevantes é que a eficiência do uso do fósforo em todas as quatro culturas analisadas fica abaixo dos 50%. Isto significa que grande parte do fósforo aplicado não é absorvido pelas plantas, obrigando as culturas a recorrerem às reservas naturais do solo, com potenciais impactos negativos na sustentabilidade dos sistemas agrícolas a longo prazo.
Para ultrapassar estes bloqueios estruturais, o estudo propõe a criação de um “atlas global da eficiência dos nutrientes” e apresenta um modelo de otimização em três níveis — cultura, região e tecnologia. Em vez de se limitar a ajustes nas práticas de fertilização, a investigação defende uma reorganização profunda dos agroecossistemas, alinhando de forma mais inteligente as culturas com as condições climáticas e os tipos de solo específicos.
Entre as soluções sugeridas estão a fertilização de precisão em zonas onde a eficiência é particularmente baixa e a priorização de recursos de gestão em áreas consideradas “sumidouros de eficiência”. Os autores defendem ainda a integração de tecnologias avançadas, como variedades de culturas com maior eficiência no uso de nutrientes, mobilização reduzida do solo e microrganismos funcionais, em pacotes de gestão agrícola mais completos.
Segundo os investigadores, esta abordagem integrada poderá permitir à agricultura mundial quebrar o ciclo de desperdício de fertilizantes, reduzir impactos ambientais e avançar para um modelo mais verde e sustentável. Mais informações estão disponíveis na notícia publicada em CAS Newsroom.
Fonte: Centro de informação de Biotecnologia