A eficiência no setor alimentar deixou há muito de se medir apenas pela capacidade de produzir mais em menos tempo. Num contexto marcado por exigências regulamentares crescentes, pressão sobre custos operacionais, escassez de recursos humanos qualificados e maior escrutínio por parte das autoridades de controlo oficial e dos consumidores, a eficiência passou a estar diretamente associada à segurança dos processos, à otimização dos recursos e à sustentabilidade operacional.
Higienização: um desafio estrutural para a eficiência alimentar
Por outro lado, quando estas operações estão corretamente estruturadas e integradas nos sistemas de gestão da segurança dos alimentos, as operações de higienização garantem a produção de alimentos seguros e tornam-se um verdadeiro instrumento de melhoria contínua, contribuindo para a estabilidade dos processos e para a valorização operacional das organizações.
A complexidade e a frequência destas tarefas exigem um planeamento rigoroso, baseado na análise de risco, na definição clara de responsabilidades e na verificação sistemática da sua execução. É precisamente neste ponto que a tecnologia tem vindo a assumir um papel cada vez mais relevante.
Digitalização como ferramenta de planeamento e controlo operacional
A digitalização destes processos vai muito além do mero registo administrativo. O planeamento da higienização passa a assumir-se como um instrumento ativo de gestão e controlo operacional, permitindo definir rotinas com base na análise de risco, estabelecer cronogramas de execução, designar responsáveis e indicar os produtos de limpeza e desinfeção a utilizar, de acordo com parâmetros previamente definidos.
Com a plataforma SARA HACCP, os registos são efetuados digitalmente no momento da execução, incluindo data, hora, operador e eventuais observações ou não conformidades. Esta abordagem assegura uma rastreabilidade integral, reduz omissões e facilita uma resposta rápida e fundamentada em auditorias internas ou externas. A emissão de alertas automáticos para higienizações pendentes, revisões periódicas ou falhas na verificação contribui para minimizar esquecimentos e reforçar a conformidade regulamentar de forma contínua.
Impacto direto na segurança dos alimentos
A utilização de plataformas digitais como a SARA HACCP permite ainda centralizar a informação relativa aos procedimentos de higienização juntamente com outros parâmetros críticos de controlo, como registos de temperatura, monitorização de pragas ou ocorrências operacionais, proporcionando uma visão integrada do estado higio-sanitário das instalações. Desta forma, a higienização deixa de ser encarada como uma tarefa isolada e passa a integrar um sistema coerente de prevenção, controlo e acompanhamento contínuo.
Padronização, evidência e fiabilidade do sistema HACCP
Todos os registos ficam armazenados de forma segura e acessível, constituindo uma evidência documental robusta para auditorias, inspeções e processos de certificação. Esta fiabilidade documental é um elemento crítico para a manutenção e credibilidade dos sistemas baseados nos princípios do HACCP, reforçando a confiança das entidades certificadoras, das autoridades competentes, dos clientes e dos consumidores.
Tecnologia e fator humano: uma relação indissociável
Quando as equipas operacionais compreendem a lógica subjacente ao planeamento da higienização e reconhecem o seu impacto na segurança dos alimentos e na eficiência operacional, a adesão torna-se natural e os resultados mais consistentes. A combinação entre tecnologia e compromisso humano contribui para ambientes de trabalho mais previsíveis, controlados e seguros.
Planeamento da higienização como estratégia de gestão
Ao estruturar e controlar um dos pré-requisitos mais críticos do sistema HACCP, os processos de higienização deixam de ser percebidos como uma interrupção produtiva e passam a assumir-se como um fator de valor acrescentado, essencial à produção de alimentos seguros e à preparação das organizações alimentares para os desafios futuros.
Fonte: iAlimentar