Atualmente, o arroz é um dos alimentos mais consumidos no mundo e, em Portugal, o seu consumo é dos mais elevados da Europa.
Num mercado cada vez mais dependente de importações e marcado pela procura de variedades exóticas e aromáticas, como o basmati, cresce também a pressão sobre a rastreabilidade e a transparência da informação que chega ao consumidor.
É neste contexto que uma investigação do ITQB NOVA – Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier, da Universidade NOVA de Lisboa, está a desenvolver novas ferramentas capazes de identificar variedades de arroz com precisão genética e detetar fraudes que, até agora, eram difíceis de comprovar.
A equipa de investigadores recorre a métodos que combinam análise documental, controlo laboratorial e técnicas de sequenciação genética, permitindo verificar se a variedade declarada no rótulo corresponde efetivamente ao produto embalado.
Estas abordagens, que vão do rótulo ao ADN, funcionam como uma espécie de “impressão digital” do arroz, tornando possível distinguir variedades muito semelhantes entre si e identificar misturas ou substituições não declaradas.
Num mercado onde o valor comercial de certas variedades premium é elevado, esta capacidade de verificação torna‑se essencial para proteger consumidores e produtores.
O avanço científico tem também implicações diretas para o setor agroalimentar. Para os produtores nacionais, estas ferramentas representam uma oportunidade de valorizar as suas variedades e reforçar a competitividade num mercado globalizado. Para as entidades reguladoras, oferecem meios mais robustos de fiscalização, permitindo intervenções mais rápidas e eficazes em casos suspeitos.
Além disso, num cenário de alterações climáticas que afeta a produção mundial de arroz, a análise genética pode ajudar a identificar variedades mais resistentes e adaptadas a novos contextos agrícolas.
A conjugação entre tecnologia laboratorial avançada e exigência crescente de transparência promete transformar a forma como o arroz é certificado e comercializado.
O que antes dependia exclusivamente da confiança no rótulo passa agora a ser confirmado ao nível do ADN, inaugurando uma nova etapa na segurança alimentar e na proteção do consumidor.
Fonte: Qualfood