03 de Setembro de 2026
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Marcas de alimentação e bebidas trocam preços por inovação
2026-09-03
Qualfood

As marcas de alimentação e bebidas estão a mudar a estratégia de crescimento, depois de dois anos em que os aumentos de preços foram uma das principais respostas à inflação. Com a pressão inflacionista a abrandar, as principais marcas estão a diferenciar-se cada vez mais através da inovação, dos atributos associados à saúde, da expansão dos portefólios e da confiança dos consumidores, conclui um novo relatório da Brand Finance.

Segundo a consultora, as 100 marcas de alimentação mais valiosas do mundo valem, em conjunto, 278,3 mil milhões de dólares em 2026. As 50 principais marcas de bebidas não alcoólicas representam 170,4 mil milhões de dólares e as 10 maiores marcas de lacticínios somam 50,8 mil milhões de dólares.

Os rankings deste ano apontam para uma mudança dos motores de crescimento, com maior aposta em produtos ricos em proteína, formatos associados a uma alimentação mais saudável e novas categorias de consumo.

Nestlé e Coca-Cola na liderança

A Nestlé mantém-se como a marca de alimentação mais valiosa do mundo, com um valor de 24,6 mil milhões de dólares, mais 23% do que no ano anterior. A Coca-Cola por sua vez, conserva a posição de marca de bebidas não alcoólicas mais valiosa, com 46,1 mil milhões de dólares, apesar de uma queda de 1% no valor da marca.

A liderança em valor não coincide, contudo, necessariamente com a liderança em força da marca. A chinesa Nongfu Spring ultrapassou a Coca-Cola neste indicador, alcançando um Brand Strength Index (BSI) de 89,8 pontos em 100 e uma classificação AAA+. A marca de água engarrafada e chá registou ainda um crescimento de 38% no valor da marca, para 15,3 mil milhões de dólares, e lidera agora nos indicadores de confiança e familiaridade dos consumidores.

Uma tendência semelhante verifica-se no sector alimentar, onde a Sadia (valor da marca aumenta 35%, para 2,9 mil milhões de dólares) e a Amul (valor da marca aumenta 22%, para cinco mil milhões de dólares) são as marcas mais fortes do sector. As duas marcas obtiveram, respectivamente, pontuações de 93,5 e 93 pontos em 100 e a classificação AAA+ em força da marca.

Esta mudança, em que a liderança em força da marca evolui apesar da estabilidade das posições no ranking por valor da marca, é uma das principais conclusões da edição deste ano.

Marcas chinesas ganham terreno

As marcas chinesas estão a ganhar maior expressão nos diferentes segmentos de alimentação e bebidas. A Yili mantém-se como a marca de lacticínios mais valiosa do mundo, com um valor da marca de 14,5 mil milhões de dólares, mais 29% face ao ano anterior. Já a Eastroc está entre as marcas de bebidas não alcoólicas que mais crescem, com um aumento de 62%, para cinco mil milhões de dólares, impulsionado pela expansão para além das bebidas energéticas, nomeadamente para bebidas com eletrólitos e outras propostas funcionais. A Mengniu também continua a reforçar a sua posição face aos concorrentes ocidentais.

O crescimento está também a surgir para além das marcas que tradicionalmente lideram as categorias. Entre as bebidas não alcoólicas, a Canada Dry apresenta o maior crescimento do valor da marca no ranking, com uma subida de 116%, para 1,1 mil milhões de dólares. A Innocent, por sua vez, aumenta o valor da marca em 60%, para 1,6 mil milhões de dólares, destacando-se dentro da categoria dos sumos e refletindo a crescente importância do posicionamento associado a escolhas mais saudáveis.

Bebidas funcionais reforçam peso

As dinâmicas dentro das categorias estão também a alterar a criação de valor no segmento das bebidas não alcoólicas. As bebidas funcionais representam, em conjunto, 33,4 mil milhões de dólares. A Red Bull mantém a liderança, com um valor da marca de 12,3 mil milhões de dólares, mais 27% do que no ano anterior. Seguem-se a Monster, com 9,1 mil milhões de dólares, e a Gatorade, com nove mil milhões de dólares, depois de crescer 21%.

No café e chá, categorias que representam, em conjunto, 19,4 mil milhões de dólares, a Nescafé continua a ser a marca mais valiosa, com 5,6 mil milhões de dólares, mais 20% face ao ano anterior. Já a Yorkshire Tea lidera em força da marca, com uma pontuação de 83,1 em 100 no Brand Strength Index, depois de aumentar o seu valor da marca em 32%, para 751 milhões de dólares.

Diversificação ganha importância

Henry Farr, Global Sector Head of Food & Drinks da Brand Finance, afirma: “depois de dois anos em que os aumentos de preços impulsionaram o crescimento das receitas sem um aumento significativo da rentabilidade, as marcas precisam agora de demonstrar de onde virá o valor a longo prazo. As que estão a ganhar terreno são aquelas que recorrem a portefólios amplos e flexíveis para captar crescimento e defender a quota de mercado em diferentes categorias face à entrada de novas marcas, em vez de dependerem apenas de posições historicamente fortes. A diversificação será cada vez mais importante à medida que tendências como os medicamentos para a perda de peso da classe GLP-1 começam a transformar a procura dos consumidores. As marcas que apostarem desde já na flexibilidade dos seus portefólios estarão mais bem preparadas à medida que estas mudanças se aceleram”.

Os dados do ranking de 2026 mostram, assim, que o crescimento do valor da marca está cada vez mais associado à capacidade de responder às novas expectativas dos consumidores. Embora escala e notoriedade continuem a representar vantagens competitivas, a inovação, a confiança e a diversificação ganham peso na construção de valor, sobretudo em áreas como a nutrição funcional, as opções mais saudáveis e a conveniência.

Fonte: Grande Consumo

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